Entrevista sobre startup e inovação - Parte 2

Essa é a continuação da entrevista que fiz para a Revista WebDesign, as perguntas 1 à 5 estão no post anterior.

6 - Ainda no livro “Startup”, Jessica ressalta que “as pessoas gostam da ideia de inovação no abstrato, mas tendem a rejeitar uma inovação concreta que lhes é apresentada porque não está de acordo com o que já conhecem”. Em relação ao mercado digital, de que maneira é possível avaliar/medir a viabilidade de uma ideia para que ela se transforme num empreendimento rentável economicamente?


Isso é muito difícil, o Google que é o maior exemplo de rentabilidade ligada a um projeto de Internet não sabia como ia ganhar dinheiro nos primeiros anos de vida. Repito que só com protótipo e determinação é possível empreender na Web. Muitas pessoas buscam a certeza com pesquisas e etc. Mas para quem gosta de certezas o empreendorismo não é o lugar certo.


7 - Alguns empreendimentos digitais brasileiros, como a boo-box, já receberam algum tipo de aporte de empresas de capital de risco. Durante o CP Labs, realizado dentro do evento Campus Party 2009, executivos de empresas de capital de risco alertaram que muitos empreendedores brasileiros ainda não sabem apresentar adequadamente seus projetos, prejudicando o aporte de verbas. Assim, quais seriam as dicas para quem deseja buscar o apoio de investidores e novos sócios? A elaboração de um plano de negócios (business plan) seria o melhor caminho?


Para quem deseja ter um investidor é inevitável fazer um Plano de Negócios. Porém, o Plano de Negócios é um meio e não um fim em si, ele é apenas um retrato do negócio. Mudar a seqüência dos capítulos ou diminuir de 50 para 20 páginas o Plano de Negócios talvez não resolva o problema, acredito que muitos investidores vêem Plano de Negócios fracos porque os negócios o são. Para quem deseja ter investidores é necessário amadurecer o conceito, diferencial e modelo de negócio o que naturalmente vai refletir no Plano de Negócios e não melhorar apenas a descrição do projeto. É comum pessoas melhorarem apenas o Plano de Negócios, com uma melhor apresentação e formatação e deixar o negócio intacto. Às vezes até funciona para conseguir um investidor, mas a probabilidade de sucesso do negócio é mínima.


8 - Desejo de ter o próprio o negócio e identificar uma oportunidade de negócio. Esses foram os principais fatores para o investimento em um novo empreendimento, segundo a pesquisa “Fatores condicionantes e taxas de sobrevivência e mortalidade das micro e pequenas empresas no Brasil”, realizada pelo SEBRAE. Além do interesse em investir em seu próprio negócio, outro fator fundamental nesta área é criar ferramentas para garantir a sobrevivência do negócio. Pensando nisso, quais são os fatores que vão determinar a continuidade de um empreendimento digital?


O foco comercial. Na maioria das vezes são pessoas técnicas que iniciam um projeto Web e que passaram por empresas nas quais, geralmente, achavam que a equipe comercial tinha vida boa e os técnicos que trabalham de verdade. Quando começam o próprio negócio percebem que as habilidades de relacionamento e entendimento do cliente são difíceis e imprescindíveis para a sobrevivência do negócio.

9 - Por favor, indicar dois empreendimentos digitais brasileiros que você considere bons exemplos, justificando em três linhas o porquê da escolha.

Bolsa de Mulher -  (site)

Um site relevante pelo segmento que se focou em atuar (mulheres) e bem rentável por se formatar como mídia e atingir um público que interessa a muitos anunciantes. Ele é uma prova que não é necessário uma inovação radical com idéias mirabolantes para se criar um empreendimento digital consistente e rentável.

Camiseteria -  (e-commerce)

Pouco explorado no Brasil, os sites de nicho são extremamente interessantes. O Camiseteria conseguiu aliar o Modelo de Negócio mais do que comprovado dos comércios eletrônicos com uma comunidade de designers os quais enviam os desenhos das camisetas a serem vendidas pelo site.

10 - Quais dicas de leitura e cursos você daria para o profissional que deseja se aprofundar neste assunto?

Não acredito muito em teorias de empreendedorismo. Assim sugiro biografias como a do Sam Walton (fundador do Wal-Mart) e do Jeff Bezzos (fundador da Amazon),a leitura de blogs de grandes empreendedores como o do Daniel Heise do Blog Aprendendo Empreendendo e atualidades sobre o mundo dos negócios da Internet no blog Techcrunch

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Perguntas e respostas sobre empreendedorismo e inovação - Parte 1

As perguntas abaixo foram feitas em uma entrevista que dei para a Revista WebDesign de Maio desse ano. Vou separá-la em duas partes para não ficar grande demais no blog.

1 - Levando-se em consideração os princípios fundamentais da web, de que maneira os conceitos de empreendedorismo e inovação estão relacionados e determinam o sucesso de novos projetos?


O empreendedorismo e a inovação são dois comportamentos que visam propor uma nova maneira de resolver os problemas das pessoas, isso significa gerar valor para um extrato da sociedade. Esse aspecto de propor algo novo e diferenciado é ainda mais necessário quando se cria um empreendimento Web por causa da concorrência em excesso. Pois, por mais que um Samuel Klein tenha enfrentado três ou quatro concorrentes ao criar a Casas Bahia, na web existe a imensa facilidade de se criar projetos, além do acesso no mundo inteiro. Assim, você na melhor das hipóteses concorre com players do Brasil inteiro. Imagine criar um site de vídeos, você estará não só concorrendo com o Videolog, mas também com o Youtube e dezenas de sites internacionais.


2 - Para quem busca a inovação, tem uma boa ideia e pretende transformá-la em um empreendimento, quais seriam as principais etapas para lançar um projeto deste porte no mercado digital, em relação à realidade brasileira?


Ao meu ver a primeira etapa é construir um protótipo, rápido e fácil, isso significa com menos de 3 meses para colocar no ar. Vejo muitos negócios que começam grande demais e invariavelmente dão em nada. A segunda etapa é procurar um modelo de negócios, muitas empresas falham em confiar que o dinheiro virá fácil, deve-se testar não só o produto, mas também o modelo de negócios e o foco desde o início tem que ser na geração de receita. E a terceira etapa é conseguir um grande crescimento de caixa para que o negócio se torne viável via investidor, parceiro ou clientes.


3 - No livro “Startup”, de Jessica Livingston, são descritas as histórias e os detalhes de empreendimentos digitais e tecnológicas de sucesso, como Blogger.com, Firefox, Yahoo!, Hotmail, Gmail etc. Na introdução, a autora destaca que adaptação, determinação e perseverança são três das qualidades principais dos empreendedores consultados pelo livro. Pela sua experiência, é possível traçar um perfil ideal para o empreendedor digital? Como um profissional deve se preparar para investir em seu próprio negócio?


Não acredito que haja um perfil, mesmo porque as qualidades que a autora destaca no livro dela são escolhas e não qualidades. Assim, para mim não existe perfil ideal, mas escolha ideal, o empreendedor é o que escolhe fazer diferente, se arriscar e sair da zona de conforto. A única coisa que se pode dizer quanto a perfil é que se não há uma união de visão técnica e de negócios fica muito mais longo o caminho para o sucesso, basta ver que a maioria dos empreendedores são duplas como no Google e Microsoft (alguns não sabem mas Paul Allen iniciou o negócio junto com Bill Gates, só não gosta tanto de holofotes). Quanto ao preparo, estudar administração e negócios ajuda 1% os outros 99% é aprender fazendo, empreendendo.

4 - Em termos educacionais, em sua opinião, o ensino superior brasileiro fornece os subsídios necessários para preparar e fomentar o surgimento de novos empreendimentos no país? Por quê?


De forma geral não. Apenas em poucas faculdades e o que é passado é uma visão muito teórica, baseada em Plano de Negócios, o qual é apenas uma das possíveis ferramentas e não o empreender em si. Chega a ser uma alienação pessoas acreditarem que empreendedorismo é saber completar o “script” de um Plano de Negócios. No entanto, tem de ser reconhecido que tem havido um grande avanço nas faculdades no ensino do empreendorismo, mesmo não gerando empreendedores como poderia o ensino evoluiu bastante de 10 anos pra cá, é um começo muito bom, ainda mais no meio acadêmico que as mudanças costumam ser lentas.


5 - No mercado web, os profissionais brasileiros são conhecidos pela alta capacidade criativa, além do perfil inovador e de adaptação a diferentes cenários. Apesar disso, por que vemos poucos empreendimentos digitais de sucesso no país? Quais seriam os principais obstáculos para ser empreendedor no Brasil, principalmente no segmento de internet?


Há muitas barreiras, além das tradicionais como a burocracia e alta tributação na Web especificamente podemos destacar um forte elemento que é a barreira cultural. Quando eu fui abrir a empresa para a rede social que criei Via6, as pessoas me perguntavam “loja do que você vai abrir?” e quando eu falava que era um site na web, todos perguntavam “mas existe empresa aberta disso?”. Enquanto no Vale do Silício em todo café tem alguém conversando sobre como vai iniciar seu negócio na Web. No Brasil isso é raro, somos criados para sermos funcionários públicos e os mais ousados trabalhar como empregado numa multinacional.

A segunda parte dessa entrevista está nesse post (clique aqui)

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Palestra sobre Empreendedorismo no MBA da Anhembi Morumbi

No começo desse mês de junho eu tive o prazer de fazer uma apresentação sobre Empreendedorismo no MBA da Anhembi Morumbi. A experiência foi muito legal, no início eu apenas falava mas ao pouco os alunos foram se sentindo a vontade para fazer perguntas o que acabou se tornando um ótimo bate-papo. Coloquei vários temas em volta do empreendedorismo que explorei um pouco como os destacados abaixo, apesar de não ter me programado acabei falando bastante sobre “como escolher sócio” pelas dúvidas que surgiram.

Temas abordados: Minha História, Empreendedorismo, Investidor , Plano de Negócios, Formação de Preço, Gestão e Como se ter Sucesso

Para baixar a apresentação em ppt clique aqui.


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Minha Palestra sobre o uso das Mídias Sociais nos Negócios nesse sábado em São Paulo

Recentemente tem aparecido muitas apresentações para eu fazer em eventos, universidades e empresas tanto sobre mídias sociais, como empreendedorismo e gestão. O que acho muito legal para trocar idéias e falar um pouco do que acredito.

Nesse sábado dia 20/06 estarei no Bate-Papo sobre Ecommerce onde vou falar sobre “Como Usar a Inteligência Coletiva nos Negócios - Diego Monteiro”, isso é , gerar participação dos colaboradores e de clientes para ter engajamento e entender mais do mercado. O evento vai acontecer na Livraria Cultura do Shopping Market Place às 10:40. O evento é gratuito!

Para quem quer ter mais informações vá na página do evento aqui.

Depois do evento colocarei a apresentação nesse blog.

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O mito da imortalidade das empresas e o empreendedorismo e inovação como solução

Em todas as corporações (sem medo de cometer um exagero) há o sentimento de  imortalidade, de qu grandes impérios nunca cairão. Cansei de ouvir em médias empresas “nós nunca iremos perder mercado e falir”, quando se trata de impérios dos negócios então, isso está presente em todas organizações sem exceção. Afinal, em uma visão simplista ao ver todo o patrimônio, participação de mercado e faturamento realmente pode-se ter a noção de imortalidade.

No entanto, vimos até bancos quebrarem! Alguém lembra do Banco Nacional ou do Bamerindus, sem falar da recente quebradeira nas terras americanas. Além é claro, dos novos gigantes que estão prestes a ir pro brejo como a Ford e a GM que pediu concordata, assim como a nova empresa BR Foods  resultado da fusão entre Sadia e Perdigão. Nesse contexto Jim Collins, o autor de negócios que muitos apontam em um tremendo equívoco como o próximo Peter Drucker (o que ele levaria 50 reencarnações para chegar perto!) e ficou famoso com o livro “Feitas para Durar” lançou um novo livro chamado “How The Mighty Fall” (Como os poderosos caem), abordando sobre o porquê esse fenômeno  acontece e como evitá-lo.

Mesmo o autor não tendo credibilidade para falar muito depois que algumas empresas que ele disse em seu livro mais famoso que foram “feitas para durar” quebrarem. Ele criou uma teoria sobre “5 estágios rumo a falência” e apresenta alguns cases como de praxe em livros de negócios. Apesar de ser fundamental para os líderes das empresas terem esse tema em pauta,  a solução não virá de análises e constatações, mas sim do real propósito das pessoas da empresa. Caso o propósito das pessoas envolvidas na gestão seja “tirar o seu da reta” e bater as metas para conseguir o bônus no final do ano, pouco adianta todos os esquemas criados nesse livro.

Não há dúvida alguma que toda empresa, produto e modelo de negócios têm uma data de validade. Quando a organização se torna arrogante, acomodada e para de pensar em se renovar significa um sintoma de que a empresa “parou de se preocupar nas melhorias que pode prover para o mundo” do que analisar o estágio da empresa com um plano de ações a serem feitos. Todos sabem que o remédio para a queda de uma empresa é o empreendedorismo e a inovação. No entanto, dependento da intenção (propósito) o resultado pode ser bem diferente! A Xerox ficou conhecida por criar o windows como o conhecemos, mas foi a apple e a Microsoft que tiraram proveito de tal inovação… isso quer dizer que a Xerox pensou fora da caixa, investiu em inovação. Porém, o propósito, a preocupação de seus executivos eram com o resultado do trimestre.

Para as organizações conseguirem se renovarem o foco deve ser na percepção do que motiva as pessoas no dia-dia da empresa. São os ganhos de curto prazo (como o bônus do final do ano), a auto-preservação (mantém aquela ageência de publicidade que não dá tanto resultado mas tem um super-nome e não compromete a decisão) ou a história que esta criando, as melhorias que as pessoas podem se beneficiar?

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Gestão e Estratégia de Empresa para lidar com a Crise

Uma leitora desse blog mandou duas perguntas, a primeira é sobre como conciliar a inovação e o operacional de uma empresa que está respondida no artigo (post) anterior. E a segunda está abaixo:

“Gostaria de saber que estratégia você recomendaria para as empresas, identificarem as novas oportunidades de mercado na crise atual?””

Como sempre a estratégia em um contexto de crise dependerá da especifidade de cada mercado. Porém, normalmente criar uma oferta “low-fare” (o maior exemplo desse tipo de serviço são os de companhias aéreas como a Gol) pode ser uma grande saída, isso significa uma opção mais barata ao seu mesmo produto / serviço, o que faz sentido na grande maioria dos segmentos. Uma vez que as empresas e pessoas estão cortando os custos ao máximo.

Um exemplo é uma reportagem recente da Você S/A em que aconselhava os executivos a marcarem encontros de negócios  no café-da-manhã e em lugares como o Octavio Café (um dos cafés mais caros de São Paulo) no lugar de almoços em restaurantes caros, já que apesar da sofisticação do lugar, ter uma refeição de manhã sai bem mais em conta do que no almoço em um lugar tão sofisticado quanto. Ou seja, mesmo no segmento de luxo estão sendo procuradas ofertas do mesmo produto (o local ainda é de luxo) porém com configurações de menor custo (ir pela manhã em vez do almoço).

Assim, se você vende computadores é possível criar novas configurações mais simples ou com menos serviços envolvidos (por exemplo, ter uma opção mais barata para o cliente retirar e instalar o produto). É importante frisar que normalmente é muito difícil alterar o produto em si e é mais fácil modificar os serviços agregados, portanto as empresas baseadas em serviços tem o maior potencial para tal. Uma Agência de Comunicação pode tentar prospectar clientes com maior porte do que o de costume, por esses estarem dispostos a ouvir fornecedores menores e com custos mais baixos. Ou se você faz Buffet para eventos de alto nível, você pode formatar e sugerir um novo tipo de evento que acontece no fim de tarde com um chá da tarde (que não tem muita custo de comida nem bebida alcólica) ou usar a criatividade para propor lugares alternativos que pareçam inovadores e agradáveis mais do que um “corte de custos”.

O importante nesse caso é não deixar que a operação se torno a única preocupação da empresa, agindo como um  “executivo poste”, fazendo com que o fluxo de caixa positivo no final do mês comprometa a estratégia da empresa. Nunca a empresa pode deixar de ser estratégica. Fixar o pensamento apenas no curto prazo (geração de caixa) é um contra-senso uma vez que esse modelo mental que gerou o atual estado da economia e de muitas empresas (principalmente as do setor financeiro). Isso me lembra uma frase do Einstein em que ele diz: “Não podemos resolver problemas usando o mesmo tipo de pensamento que usamos quando os criamos”.

Isso é nítido quando vemos às últimas edições da Revista Exame. Na Edição de 05 de Fevereiro a matéria de capa dizia: “Pesquisa exclusiva realizada por EXAME com 170 presidentes de companhias brasileiras mostra que o perfil estrategista deu lugar ao executivo ocupado com minúcias da operação e com o caixa da empresa“. Isso é um comportamento típico de um “executivo poste” que se foca no curto prazo. Porém, a própria Exame na Edição de 19 de Março já mostra como essa mentalidade é extremamente perigosa, apontando a política de altíssimo bônus aos executivos pelo resultado do ano a responsável por criar uma cultura de curtíssimo prazo nos bancos e empresas. O que, na verdade, foi o verdadeiro responsável pela crise atual: “Numa era de culto ao curto prazo - na qual, muitas vezes, controladores, sócios, empregos e até valores são transitórios -, tudo parecia fazer sentido. Valia vender o futuro para comprar o presente”.

Se você quiser mandar uma pergunta para esse blog mande e-mail para peoplebased@gmail.com

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Estratégia e Gestão para unir Inovação com Planejamento

Esse post é uma resposta à uma pergunta de uma leitora do Peoplebased:

“Acabei de ler seu blog e fiquei tão curiosa com uma questão que tive que te enviar as perguntas:
1) Você conseguiu achar um meio de conciliar a estratégia planejadora com a inovadora?
2) Gostaria de saber que estratégia você recomendaria para as empresas, identificarem as novas oportunidades de mercado na crise atual?”

A leitora se baseou em três posts que escrevi:
Primeiro: Bom Planejamento ajuda, mas também é um problema na gestão - BSC
(os problemas do excesso de planejamento)
Segundo: Como conciliar inovação e planejamento na prática - continuação
(os motivadores do excesso do planejamento)
Terceiro: O desafio de unir planejamento e inovação [Revista HSM]
(uma solução de criar uma unidade em separado.)

1) Não há uma receita de bolo para conciliar a estratégia “Inovadora” com a “Planejadora”, tudo dependerá de cada caso (contexto e perfil da organização). Mas parece que há duas implementações possíveis:

A primeira é a Inovação “Fora de casa” via uma Spin-off: Se trata de criar uma nova unidade de negócio separada do negócio atual, assim livre de paradigmas, paixão pelo passado e medo do novo. A segunda opção é a Inovação “Dentro de Casa” via processos da organização, isso significa tanto criar motivadores para a inovação (bônus atrelado ao diferente do status-quo) como a equipe gestora gastar energia e ter comprometimento em pensar e inserir novos modelos no dia-dia da empresa, enfim nutrir uma cultura de experimentação e monitoração /reflexão dessas experiências.

Porém, o real sucesso da inovação em uma empresa “planejadora” virá de uma liderança integra. Aqui não estou falando de ética, moral, valores, filosofia e etc que são fundamentais, porém quero tratar do líder que não é um “executivo poste” (aqueele que consegue resultados, mas devido ao contexto favorável que até um poste conseguiria), mas um executivo líder de fato.

Um “executivo líder” é integro e consistente no sentido de estar profundamente ligado e realmente acredita em suas iniciativas, em vez de fazê-las por ter que fazer (para ficar bem com o mercado, investidores ou colaboradores), isso significa no português claro “para inglês ver”. É comum ver no mundo dos negócios iniciativas de “executivos poste” muito mais voltadas para sossegar acionistas do que para realizar um propósito ou uma inovação. Pensar assim faz com que a estratégia de spin-off seja “os acionistas demandam inovação vamos comprar uma empresa inovadora”, o que normalmente resulta apenas em torrar dinheiro sem retorno econômico nem realização e na estratégia de processos (cultura) se torna mais uma meta para atrapalhar e tirar o foco d o dia-dia das pessoas.

A escolha e sucesso do caminho a ser seguido dependerá de uma liderança verdadeira.

Quanto a estratégia de uma empresa na crise (segunda pergunta) estará no próximo post.

Se você quiser mandar uma pergunta para esse blog mande e-mail para peoplebased@gmail.com

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Liderança na Estratégia - Os “Executivos Poste” - Parte 2

“Na sede de uma grande multinacional em São Paulo executivos sorriem num brinde com Champanhe de 5 mil dólares, em foto que vai ser capa de uma revista de Negócios…

…No Rio de Janeiro, executivos são eleitos os melhores do ano em uma premiação…

…Um empresa moderna e “inovadora” coloca piscina e fliperama para os funcionários”

A Crise chegou, e aí esses super-executivos e empresas super-inovadoras, na hora de realmente mostrarem o porquê são “super” fazem o quê? demitem e cortam benefícios! Por que a Fiat não honra seu prêmio de melhor do ano pela Exame e se torna exceção das montadoras na crise, em vez de dar férias coletivas? Por que o Google que é super-inovador, não mostra os novos produtos lucrativos como deveria a empresa mais inovadora do mundo em vez de pensar em cortar o almoço-grátis e as pistas de hockey?

Isso acontece por causa dos Executivos Poste. No post anterior eu comecei a falar desse profissional muito comum no meio corporativo. O Executivo Poste consegue resultados não por suas ações, mas sim porque o mercado naturalmente impulsiona para isso e se vangloria como se fosse tudo gerado pelo seu pseudo-talento. Já o Executivo Líder, ele tem um propósito, uma crença muito além de seu ego pessoal… para ele o importante é a empresa criar valor e não está totalmente “refém” dos mercados. Abaixo está uma comparação mais detalhada de cada tipo de líder em cada uma das duas situações em que uma empresa pode se encontrar:

Quando a empresa está Lucrativa (1)

O mercado está bem (a) , o setor em que a empresa atua não pára de crescer (b) e as decisões certas, em geral, foram tomadas (c). Os dirigentes realizaram sim uma boa estratégia ou pelo menos razoável e as condições do mercado (o que está ligado com a sorte) permitiram a empresa estar bem. As reações de gestão são:

Do Executivo Poste: exalta a si e a equipe (que vai mais pelo embalo e pra não pegar mal, afinal se trata de um executivo carismático) como grandes gênios e vencedores. Pessoas super-competentes! E em seguida começa a gastança, é realizada uma hiper-festa de fim-de-ano, todos funcionários agora têm notebook de última geração mesmo que fiquem sempre dentro da empresa, Tv´s de plasma são espalhadas pelo escritório para fazer endomarketing e etc

Já do Executivo Líder: sabe que o sucesso foi alcançado não por sua genialidade mas porque o mercado está favorável, e do mesmo jeito que hoje o mercado está bem, isso passará, e o tempo das vacas gordas irão acabar. É quando ele reconhece sim o trabalho de toda equipe, porém usa a motivação de todos para INVESTIR e INOVAR em vez de gastar, criar os “produtos de amanhã“.

Quando a empresa tem Prejuízo (2)

O mercado não está bem, o mundo, a economia local está em crise ou o setor em que a empresa atua. Só que a empresa do Executivo Líder sobrevive e não faz cortes, porque no momento das “vacas gordas” ele manteve uma gestão austera e “investiu no amanhã” em vez de se vangloriar e fazer a média com o pessoal.

Já o executivo poste, faz corte de funcionários, para com a gastança (pena que é tarde demais) tirando os mega-benefícios e luxos. E, principalmente, propaga o discurso  na empresa e na mídia que “a situação está difícil” como acontece no mercado de publicidade em que as agências não param de demitir, culpando a crise. Mas todos sabem que a situação está feia mesmo é pela insistência em não mudar o velho e ultrapassado modelo com que trabalham.

Em tempos como os atuais o importante é termos visão crítica e reconhecermos os líderes e os executivos postes, quem é o joio e quem é o trigo. E melhor ainda se pudérmos perceber nossas atitudes como o primeiro ou o segundo. Essa crise não deve servir apenas para milhões de pessoas perderem seu dinheiro investido e bancos / montadoras conseguirem doações bilionárias dos governos! Mas sim para um aprendizado de gestão, de quando guiamos ou somos guiados por líderes ou postes.

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Liderança na Estratégia - Os “Executivos Poste”

No post anterior ao falar sobre o líder tipo “Obama” que tem uma missão e visão quando atua, foi inevitável também pensar no profissional tipo “Lula” sem um propósito mais profundo, que o centro de suas motivações é sua auto-promoção e o carisma é a sua competência-chave.

Pensando nisso, os resultados pode ser alcançado mesmo por um líder desse que é um “Executivo Poste”… Resultado, que é a medida para tudo no mundo dos negócios. A explicação está abaixo:

“como disse o comentarista esportivo Jorge Kajuru ‘O Dunga até pode levar a Copa, como um poste também conseguiria com a qualidade dos jogadores brasileiros’. E isso é o que acontece com os Líderes sem causa (Lula e CEOs com estilo da Era Industrial), eles estão em contextos perfeitos que até um poste conseguiria resultados. Lula herdou uma economia acertada pelo Fernando Henrique e com o mundo em pleno crescimento. Muitos presidentes de grandes empresas não precisam criar nada novo só usar seu poder junto a outras mega-empresas e o governo ou surfar no crescimento do mercado.”

Agora vou aprofundar como pode ser visto um “Executivo Poste” em contraposição ao “Executivo Líder”, a diferença está que o primeiro está disfarçado de líder e o segundo o é realmente, assumindo todo o preço e as responsabilidades de agir como tal (que não são poucas).

Para especificar como cada tipo de executivo age devemos pensar nas duas situações básicas me que uma empresa pode se encontrar: (1) A empresa está muito bem financeiramente (lucrativa) e (2) A organização está mal das pernas (prejuízo).

A diferença está na concetração de esforços, o Executivo Poste na época de lucro passa a “gastar” o dinheiro e ficar bem com o pessoal. O Executivo Líder, por sua vez, pensa estratégicamente (não em si ou para benefícios de curtíssimo prazo da empresa). Enquanto nos tempos de vacas magras o Executivo Poste se considera uma vítima pronto a fuzilar milhares de desculpas: “é o mercado, é essa nova lei, os clientes não entendem do meu produto….” o Executivo Líder diz “precisamos descobrir com urgência rever nossos modelos mentais sobre o mercado e nossas linhas de ofertas, precisamos inovar para passar por isso”.

Continua no próximo post.

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Liderança e Missão de uma Empresa: a lição de Barack Obama

No post anterior eu havia falado sobre a inovação de Obama de Marketing ao usar redes sociais e a Web 2.0 para se promover (ele tem mais de 1 milhão de “amigos” no Facebook).

Os dias se passaram e o favoritismo do candidato que tem unanimidade no mundo se comprovou nas urnas americana. Barack Hussein Obama é o novo presidente dos EUA!

Seguindo meu post anterior surge inevitavelmente uma questão, essa vitória significa uma vitória do Marketing na Web 2.0? Não, isso não foi uma vitória da publicidade em redes sociais. Mas sim de uma estratégia com (1) propósito e (2) divulgação adeqüada (redes sociais). A raiz do sucesso obtido é a missão, o porquê de sua empreitada! por causa disso Obama engajou todo mundo em torno de seu propósito, sua causa. E as redes sociais serviram apenas (e não menos importante) como um catalisador dessa intenção.

Acho até engraçado como nas corporações e o pessoal de publicidade, pensa que a publicidade, o meio, é um fim em si. Me espanta ver milhões investidos em mídias, estratégias e etc sem nenhuma causa! Felizmente tem surgido uma onda de relevância da mensagem, de que a melhor estratégia é mexer no produto, da empresa ter uma causa e gerar evangelistas (Buzz Marketing), que parece ser o início de que as empresas vão acordar para a realidade.

A demonstração dos resultados de se ter um propósito foi vista com o Obama em seu discurso da vitória. Se tratou da fala de um estadista e não de um triunfalista! Obama não deu um sorriso, não tinha que dar mesmo! Ele está atrás de mudança e não de ser o 1o presidente negro a se eleger e provar pra todo mundo que ele pode! Não, ele está tenso! Porque agora que vai começar o seu trabalho.

Como seria o Obama se seguisse o comportamento e compromisso das empresas tradicionais? Igualzinho o Lula… quando o Lula foi eleito ele disse sorridente e emocionado: “nunca duvidem da capacidade de alguém da classe trabalhadora de vencer na vida”. Para o Lula não tinha causa, propósito, nada disso. Se tratava de uma vitória pessoal.

Mas alguém pode dizer: “Poxa, mas não precisa desse troço de propósito! O Lula conseguiu excelentes resultados, tanto que conseguiu recorde histórico de aprovação pela população!”. “Ahh Diego, você também fala dos líderes empresariais (CEO´s) que não tem uma causa, porém suas empresas muitas vezes tem muito sucesso”.

Para esse tipo de pensamento há uma resposta simples que está numa citação do polêmico comentarista esportivo Jorge Kajuru “O Dunga até pode levar a Copa, como um poste também conseguiria com a qualidade dos jogadores brasileiros”. E isso é o que acontece com os Líderes sem causa (Lula e CEOs com estilo da Era Industrial), eles estão em contextos perfeitos que até um poste conseguiria resultados. Lula herdou uma economia acertada pelo Fernando Henrique e com o mundo em pleno crescimento. Muitos presidentes de grandes empresas não precisam criar nada novo só usar seu poder junto a outras mega-empresas ou o governo.

O que importa de verdade para um líder é a escolha que divide os que ficam para a história ou os que conseguem uma vitória pessoal. Essa escolah na realidade se trata de servir a um bem comum ou ao bem próprio. Ter e gerar milhões de reais ou impactar positivamente milhões de pessoas.

OBS: Aos que acham que sou otimista demais com o Obama, não sou não. Não acredito nisso que dizem “ah, mas ele não vai parar a guerra totalmente” “ah, ele não vai tirar os subsídios que atrapalham o Brasil”. Porque ele nunca quis ser presidente do mundo, atender ao mundo. Mas sim aos EUA, ele é presidente de lá. Ele mesmo disse em seu discurso que as pessoas vão cobrar resultados no primeiro ano, mas eles so virão em quatro ou mais.

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