Archive for May, 2008

Por que Matrix é uma Porcaria

Matrix é um filme que se tornou um clássico do cinema… e até mais que isso, se tornou um ícone da cultura Pop. Tanto sucesso fez com que o filme ganhasse uma aura cult e de inquestionável qualidade. Enquanto, suas continuações Matrix 2 e 3 foram escrachados como filmes com apenas tiroteios e efeitos especiais.

Porém, eu escrevi esse artigo para contestar esse senso comum e provar que Matrix, na verdade, é uma porcaria!

O Incentivo ao Vitimismo e Egocentrismo

O autor Ken Wilber diz que a maior doença da humanidade atualmente é o vitimismo, onde as pessoas são centradas em si mesmo de forma egoísta e todos problemas que surgem são causados por terceiros, pela sociedade e etc. Ele cita um exemplo no livro Boomerite que eu achei muito interessante e engraçado em que uma familia processou um estacionamento dos EUA porque seu filho roubou um carro de lá, e na fuga do roubo acabou tendo um acidente! O motivo do processo? é porque eles acusam o estacionamento de não ter dificultado mais o roubo com muros mais altos o que impediria o acidente! Assim o acidente foi culpa da empresa que teve que pagar uma indenização à família, o jovem assaltante é uma mera vítima.

Essa tendência do ser humano de se sentir vitima, é a fraqueza do homem e algo que nunca deveria ser incentivado. Porém, todos adoram esse lance, todos adoram praticar um crime e ser culpa do muro que é baixo demais e facilitou o roubo, todos adoram estar desempregado e colocar a culpa nos políticos que nós mesmos que votamos e principalmente adoram Teorias da Conspiração, onde somos vitimas de um sistema contra nós e não temos responsabilidade nenhuma (a parte confortável que a maioria de nós adoramos) sobre os problemas que acontecem com a gente.

Esse ponto fraco do ser humano, essa forma de pensar primitiva que o filme Matrix realça. Quando eu vejo as pessoas se identificando com o filme, sempre me parece que pensam assim: “olha eu sou igual ao Neo, super-esperto e o resto do mundo é alienado… porque os poderosos fazem as pessoas serem alienadas. Mas eu não caio nessa, não assisto Faustão nem ouço axé… eu sou é muito inteligente e intelectual”. E quando pensam nos problemas do mundo: “o mundo é igual ao matrix os poderosos (robos / computadores) se aproveitam de nós, eu não tenho culpa nenhuma! é tudo culpa dos poderosos”.

Assim o filme se torna muito fraco, por tratar de algo que é senso-comum… nenhum novo paradigma ou pensamento. Visão tão velha e medieval quanto o proletariado revoltado com as elites ou a indignação com a “política do pão e circo”.

A Filosofia de Boteco

Apesar de todos dizerem que Matrix se trata de um filme “filosófico” e “reflexivo”, já mostrei acima que de reflexivo tem nada. Quanto ao filosófico também é muito questionável A parte pré-histórica e básica da filosofia, o filme ainda está no mito da Caverna!

Além disso, o filme peca em colocar razões e sentidos em todos elementos do filme, como mostra os nomes dos personagens que remetem a conceitos da Santíssima Trindade, os números nas portas, os livros nas estantes dos cenários e etc. O que dá uma falsa noção de profundidade. Na verdade, um filme filosófico é bem mais um que fomente a sabedoria, do que cuspir elementos básicos de Platão. Um exemplo de filme oposto ao Matrix é o Viver do Kurosawa.

O conteúdo de Novela das Oito da Globo

Outro ponto que demonstra a fraqueza do Matrix é que sua história é bem clichê. O mocinho bonzinho que consegue se superar e derotar os malzinhos e bandidos da história (Agente Smith). Esse maníqueismo simplório já é lugar comum e não acrescenta nada. O que é irônico é que esse estilo de narrativa é o mesmo das novelas da Globo, o mesmo que os fãs de Matrix se dizem estar tão distantes.

A ideologia de Música de Pagode

Se Matrix é uma lástima como filme e filosofia, como referência na vida pessoal também não é diferente. Ao ver o relacionamento entre Neo e Trinity, em que eles estão apaixonados e terminam no final junto só falando a mensagem “e foram felizes para sempre” está muito mais próximo de uma letra de música de pagode do que um real questionamento e aprendizado de relacionamento amoroso. Mais uma vez prevalece o clichê Hollywoodiano em que o amor é quando dois apaixonados ficam juntos é um fim em si, ao contrário da vida pessoal que é apenas o começo e os verdadeiros desafios vêem ao longo do tempo.

A Salvação: Matrix 2 e 3

A minha crítica, no entanto, vai apenas para o primeiro Matrix o que nos dois filmes seguidos Matrix Reloaded e Matrix Revolutions é totalmente diferente. Os irmãos wachowski, diretores do filme, sabiamente colocaram no primeiro filme o lugar comum e clichê e nas continuações fez a virada mostrando uma evolução em salto quântico do personagem NEO do homem comum num história medíocre combatendo o sistema para um ser em questionamento entendendo suas escolhas e decisões, num processo de amadurecimento sem ser o dono da verdade.

O Incentivo ao Vitimismo e Egocentrismo

Em vez da arrogância de ser dono da verdade frente a um mundo de alienados, discordando do “status quo” e para isso simplesmente o destruindo… sem nenhuma possibilidade de diálogo e de reflexão das estratégias possíveis. Agora Neo, não se acha o dono da verdade e com o caminho inquestionável a percorrer, mas ele procura entender a relação entre os homens e as máquinas… e mais pensa constantemente em qual a melhor estratégia para resolver o embate, em vez de simplesmente destruir as máquinas, mas sim tentando resolver o problema (que no final nem precisou destruir as máquinas para tal).

A Filosofia de Boteco

A filosofia de Boteco na continuação da trilogia dá lugar ao questionamento do Neo sobre o papel da máquinas no mundo, sobre o que é certo fazer em vez de apenas sair por aí matando as máquinas como num Rambo do século XXI. É impressionante que antes o caminho inquestionável do primeiro filme “derrotar todas as máquinas porque elas são más” se transformou num auto-questionamento denso em que só se resolve no último minuto do terceiro filme.

O conteúdo de Novela das Oito da Globo

Os personagens “malzinhos”, seus inimigos do primeiro filme foram deixando de ter a aura de mal-absoluto X a bondade dos homens. E há uma evolução na história onde os homens deixam de ser tão bonzinhos assim e as máquinas passam a ter um papel mais colaborativo (tanto que muitas máquinas ajudam Neo em sua jornada).

A ideologia de Música de Pagode

Outra virada se deu também no relacionamento entre Neo e Trinity. O papel do amor fugiu do clichê e trouxe os desafios do papel da relação frente aos objetivos e escolhas de cada um. Neo se encontra no final do Matrix Reloaded num grande dilema quanto sua escolha como resolver o conflito com as máquinas e seu amor por Trinity.

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Época Negócios: Uma Revista Inovadora

Eu sou fã de literatura sobre negócios… livros, palestras, sites, revistas e etc… Porém, tudo que eu lia era principalmente americano (para não dizer 100%). Porém, isso mudou desde que a Editora Globo lançou a Época Negócios, desde então me tornei um entusiasta dessa revista! Sempre indico a Época Negócios para todos que conheço, e eles estão aproveitando a dica (como nesse post do Daniel Heise). Finalmente temos por aqui uma revista de tal nível para nos desenvolver!

Nessa revista se encontra tanto matéria sobre o grupo GP Investimento e de como eles lucram em cima dos funcionários ambiciosos, como o psiquiatra Irvim Yalom falando sobre a importância da tristeza!

Nesse mês a matéria de capa é sobre um dos homens mais ricos do mundo, o empresário brasileiro Eike Batista. Porém, além disso tem uma matéria fantástica sobre empresas que não são nem ONG´s nem empresas como estamos acostumados que só pensam no lucro “Empresas do Setor 2,5 derrubam fronteiras entre lucro e ação social”. Outra matéria interessante é a da “Na Amex, o pagamento do CEO depende de metas de longo prazo”.

Muita gente ainda critica a Época Negócios, por dizer que ela ainda está longe das publicações dos EUA como a Fast Company! Certamente a revista não é perfeita, mas para nós do Brasil é uma enorme avanço. E em vez de criticar, temos mais é que apoiar e dar sugestões.

Como acho que o papel dos blogs é a de Colaborar, em vez do simples comentário ou critíca. Eu como blogueiro e leitor assíduo tenho duas sugestões…

1) A revista deveria ter mais “matérias quentes”.

Isso é, ter furos de reportagem, atuais e exclusivas. A revista hoje consiste em basicamente matérias que podem ser lidas quando quiser, normalmente lições de management. Apesar do tema ser interessante, há desvantagens nisso! As pessoas que só acompanham essa revista acham que estão perdendo novidades, e além disso não vêem que têm a necessidade de ler a revista para saber uma novidade na frente de todo mundo… uma fusão, um grande anúncio de uma empresa importante ou coisa parecida.

2) Gerar mais matérias “Made In Brazil” e com Pequenas empresas inovadoras

Apesar das matérias de capa geralmente envolver brasileiros. Dentro da revista são raros os casos nacionais, acho que poderia se aproveitar mais do nossa cultura e conhecimento local. Um exemplo de matéria muito rica seria fazer uma bateria de perguntas iguais para pessoas totalmente diferentes.

Um exemplo: Perguntar coisas sobre estratégia para um Diretor Financeiro de uma empresa, e para um Diretor de Marketing da mesma empresa… ou perguntar sobre gestão de pessoas para um executivo de uma metalúrgica e as mesmas para um executivo de uma agência de publicidade.

Além disso, sinto que há uma grande preocupação da revista em mostrar pessoas bilionárias como Abilio Diniz e Carlos Slim e grandes empresas. No entanto, acho que para todas as pessoas de negócios é fundamental conhecer Startups e as médias empresas que prometem muito no futuro. Me lembro até hoje quando li no ano de 2000, numa revista americana de negócios, sobre uma empresa de garagem que estava fazendo um site de buscas interessante na garagem de casa! O nome do site era um tal de “Google”… naquela época se eu tivesse comprado mil dólares em ações deles, hoje estaria milionário com certeza.

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Para que viver num mundo de números e métricas?

Vivemos num mundo em que todos ficam atentos a números e pesquisas. Matéria boa na mídia é a baseada em números, investidor só entra em mercados com números crescentes, gestão boa é a gestão por métricas a la Balanced Scorecard. O que me lembra de uma história:

Um jovem perguntou para um amigo: “O que é lua?”. E o amigo apontou com o dedo para cima. Foi então que ele respondeu: “Agora entendi. Lua é a mesma coisa que dedo”.

Outra comparação seria como ir a um restaurante e comer o cardápio, o que não daria certo porque o cardápio indica a comida, mas não é a comida em si!

Esse negócio de calcular, matematizar tudo pode ser bacana e ter seus benefícios. O problema é quando de uma ferramenta, um recurso para a eficiência se tranforma numa visão de mundo e inevitavelmente uma miopia.

Nas empresas essa “visão relatório” do mundo é a prática comum. Poucos são como o Steve Jobs que não está nem aí para pesquisa de mercado, ou fica acompanhando as vendas e o retorno das propagandas. Mas inova como um alucinado, olha as pessoas no dia-dia e pensa: “as pessoas precisam de um Ipod e de um Iphone”… as vendas, o retorno do investimento, os indicadores, os relatórios é tudo uma conseqüência natural e administrativa. Coisa para o pessoal de operações cuidar! Aí não se trata de uma “visão relatório” mas de uma “operação por relatório” o que combina muito bem.

O resultado disso é a “troca de bolas”, pensa-se que é possível criar algo, ter visão a partir de relatórios! Porém, as grandes inovações e produtos matadores não ocuparam espaços em mercados quantificados por algum instituto como o Ibope. Mas sim porque criaram mercados novos, o Google é o Google hoje porque criou o mercado de links patrocinados dentro do faturamento de publicidade, e não porque ficou procurando espaços no mercado de banners ou anúncios na TV.

O aspecto pesquisa é o que mais podemos ver isso, como eu disse no post anterior. E atualmente saiu uma polêmica no blog Midia Social sobre o faturamento do mercado de publicidade online. A questão é que foi divulgado um faturamento recorde nesse setor mais de 500 milhões de reais. O questionamento da Ceila nesse post é que 80 % dessa grana vai para apenas 7 empresas como o Terra, Uol e IG. E o restante para onde vai?

Porém, mais interessante do que a “visão relatório” de como é gasto o dinheiro hoje. É pensar nas possibilidades dos mercados que podemos gerar. E mesmo porque nesse caso essa mídia tipo banner tende a acabar, dificilmente tem futuro.

Por que as pessoas usam a “visão relatório”?

A minha idéia aqui, foi ir além da questão matemática do relatório e pensar no porquê as pessoas usam esses relatórios, por isso o blog se chama People Based né!

O que leva a gente a se comportar assim é por dois motivos:

1) Esse é o caminho mais fácil. O jeito inovador / Steve jobs de fazer as coisas é complicado. Precisa de muita coragem para assumir uma intuição, uma aposta! Com a “visão relatório” pode dar errado que você terá todas as justificativas do mundo para comprovar isso. E aí nisso vem o segundo motivo…

2) O ambiente valoriza e reforça esse comportamento de “visão relatório”. Ao entrar no mundo das empresas, negócios e etc. É impossível não se deparar com isso 100% do tempo no mínimo. Você vai ser medido por metas, será exigido que seus projetos sejam fundamentados em análises de mercado e etc.

A esperança no fim do túnel

Uma solução para isso pode ser a de não sermos radicais contra essa “visão relatório” e procurar espaços nas empresas e nos negócios para pensarmos por nós mesmo e assumirmos riscos em cima do que acreditamos. Sempre aos poucos, nada radical.

Importante: Esse post é uma colaboração ao Post da Ceila sobre os números da mídia online.

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Baboseiras em Pesquisas - edição 1

Pesquisas  às vezes são boas, mas normalmente se tratam de baboseiras. Servem apenas para comprovar o que o pesquisador quer. Uma operadora de celular faz uma pesquisa em que a mioria das pessoas quer vídeo pelo celular em vez da TV, um montadora de veículos faz outra em que o resultado é que carro é o meio mais seguro de viajar e etc…

Sempre vou colocar quando aparecer aqui esse tipo de coisa. A primeira é a seguinte:

“Uma pesquisa realizada pela Thinkbox e pelo Internet Advertising Bureau indica que consumidores que viram comerciais na TV e na internet têm mais chance de comprar um produto do que os que viram em apenas 1 dos dois meios…”

Eles fizeram essa pesquisa por quê? Eles achavam que havia chance de as pessoas comprarem menos se ver duas vezes o mesmo comercial e ficaram surpreendidos que quanto mais vêem mais compram?

Fonte: BlueBus

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Internet é Para Poucos? Segmentada?

Esse “Dia das Mães” de 2008 será um marco na Internet! Porque vai acabar com um grande mito que roda a Internet. De que a Internet não é um canal segmentado. É impressionante ainda ouvir hoje em dia pessoas falarem nas empresas: “Meu público não está na Internet!”

Porém, a Casas Bahia (empresa que se tornou famosa para vender para o público de baixíssima renda) veio comprovar o que poucos ainda não sabiam, que todo mundo está na Internet. Pobre, rico, feio, bonito, jovem, velho, meia-idade. Enfim, essa campanha direcionada para o Público de baixa renda e mães (gente provavelmente com mais de 30 anos em sua maioria).

A campanha se trata de um Hotsite (sim você leu certo, a Casas Bahia criou um hotsite!), onde oferece prêmios em eletrodomésticos para as mães que enviarem vídeo pelo Youtube com depoimento.

Matéria encontrada no IDG Now!

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