Para que viver num mundo de números e métricas?
Vivemos num mundo em que todos ficam atentos a números e pesquisas. Matéria boa na mídia é a baseada em números, investidor só entra em mercados com números crescentes, gestão boa é a gestão por métricas a la Balanced Scorecard. O que me lembra de uma história:
Um jovem perguntou para um amigo: “O que é lua?”. E o amigo apontou com o dedo para cima. Foi então que ele respondeu: “Agora entendi. Lua é a mesma coisa que dedo”.
Outra comparação seria como ir a um restaurante e comer o cardápio, o que não daria certo porque o cardápio indica a comida, mas não é a comida em si!
Esse negócio de calcular, matematizar tudo pode ser bacana e ter seus benefícios. O problema é quando de uma ferramenta, um recurso para a eficiência se tranforma numa visão de mundo e inevitavelmente uma miopia.
Nas empresas essa “visão relatório” do mundo é a prática comum. Poucos são como o Steve Jobs que não está nem aí para pesquisa de mercado, ou fica acompanhando as vendas e o retorno das propagandas. Mas inova como um alucinado, olha as pessoas no dia-dia e pensa: “as pessoas precisam de um Ipod e de um Iphone”… as vendas, o retorno do investimento, os indicadores, os relatórios é tudo uma conseqüência natural e administrativa. Coisa para o pessoal de operações cuidar! Aí não se trata de uma “visão relatório” mas de uma “operação por relatório” o que combina muito bem.
O resultado disso é a “troca de bolas”, pensa-se que é possível criar algo, ter visão a partir de relatórios! Porém, as grandes inovações e produtos matadores não ocuparam espaços em mercados quantificados por algum instituto como o Ibope. Mas sim porque criaram mercados novos, o Google é o Google hoje porque criou o mercado de links patrocinados dentro do faturamento de publicidade, e não porque ficou procurando espaços no mercado de banners ou anúncios na TV.
O aspecto pesquisa é o que mais podemos ver isso, como eu disse no post anterior. E atualmente saiu uma polêmica no blog Midia Social sobre o faturamento do mercado de publicidade online. A questão é que foi divulgado um faturamento recorde nesse setor mais de 500 milhões de reais. O questionamento da Ceila nesse post é que 80 % dessa grana vai para apenas 7 empresas como o Terra, Uol e IG. E o restante para onde vai?
Porém, mais interessante do que a “visão relatório” de como é gasto o dinheiro hoje. É pensar nas possibilidades dos mercados que podemos gerar. E mesmo porque nesse caso essa mídia tipo banner tende a acabar, dificilmente tem futuro.
Por que as pessoas usam a “visão relatório”?
A minha idéia aqui, foi ir além da questão matemática do relatório e pensar no porquê as pessoas usam esses relatórios, por isso o blog se chama People Based né!
O que leva a gente a se comportar assim é por dois motivos:
1) Esse é o caminho mais fácil. O jeito inovador / Steve jobs de fazer as coisas é complicado. Precisa de muita coragem para assumir uma intuição, uma aposta! Com a “visão relatório” pode dar errado que você terá todas as justificativas do mundo para comprovar isso. E aí nisso vem o segundo motivo…
2) O ambiente valoriza e reforça esse comportamento de “visão relatório”. Ao entrar no mundo das empresas, negócios e etc. É impossível não se deparar com isso 100% do tempo no mínimo. Você vai ser medido por metas, será exigido que seus projetos sejam fundamentados em análises de mercado e etc.
A esperança no fim do túnel
Uma solução para isso pode ser a de não sermos radicais contra essa “visão relatório” e procurar espaços nas empresas e nos negócios para pensarmos por nós mesmo e assumirmos riscos em cima do que acreditamos. Sempre aos poucos, nada radical.
Importante: Esse post é uma colaboração ao Post da Ceila sobre os números da mídia online.



Allan Said,
May 14, 2008 @ 11:24 am
Belo post, Diego.
Mas eu ainda acho que seria um pouco utópico de lidar com um mundo sem a “visão relatório”. Mesmo o steve jobs e toda sua inovação precisam comprovar para seus acionistas que a sua intução é certa… e para isso não adianta somente falar, tem que provar. E com números.
Rafael Ziggy Said,
May 14, 2008 @ 12:55 pm
Esse post ficou tão bom que me fez sair do conforto do meu feed para vir te parabenizar. Ficar concordando com o que você disse seria um pouco redundante, então só passei aqui pra te dizer que penso MUITO parecido com você nessa questão. É relatório, pra lá, relatório pra cá, quando estamos lidando com pessoas, o ser mais imprevisível que existe.
Talvez o certo seja ter um Steve Jobs aliado ao mestre dos números. Um tem mais liberdade na criação de idéias voltadas ao mercado e outro corre atrás dos números. Só que vai ter momentos em que o “feeling” não vai bater com os números e aí vem a dúvida: será que vale a pena? Vai depender de quem está no papel de Steve Jobs. =P
Abraço!
Diego Said,
May 14, 2008 @ 1:37 pm
Allan,
é que a “visão relatório” cabe em muitos lugares, mas não em tudo. Um dos casos é o da inovação. Na minha opinião seria impossível provar com números que a Apple (fabricante de computadores) deveria entrar no mercado de celular. Primeiro, por ser um mercado muito bem atendido pela Nokia e Motorola, e segundo porque a Apple entendia nada de celular. Qualquer número para provar sua entrada seria bizarro como as pesquisas que tem por ai.
Ele até poderia ter mostrado o tamanho do mercado que consome celulares, mas quer dizer nada se eles comprariam um Iphone, se teria espaço num mercado desses.
Meu chute é que ele chegou para os acionistas e disse: “eu tenho um produto matador, eu sei que o mercado de celular tem a Nokia e fazemos computadores. Mas eu consigo fazer um troço revolucionário com a nossa capacidade de usabilidade”. De outra forma acho difícil.
Rafael,
obrigado pelo comentário. Concordo com você, acho que teríamos que ter nas empresas um Steve Jobs com loucuras de entrar em mercados diferentes sem base em números… e um Bill Gates que ficaria fazendo pesquisas e vendo como enfiar o Windows em mais lugares possíveis de acordo com relatórios de vendas e mercado potencial. Veja quantas coisas realmente novas / inovadoras o Bill Gates criou… e olhe quantos Macs a Apple consegue vender (menos de 5% do mercado). Porém, essas duas pessoas / partes da empresa deveriam estar separadas para um não contaminar o outro, um complementando o outro!
Isso aconteceu na Sony quando lançou o playstation… um engenheiro de lá cismou que a Sony deveria fabricar um videogame com CD em vez de cartucho… Os executivos acharam um absurdo a idéia, então ele montou uma equipe a parte na Sony em que desenvolveram o videogame e todo mundo da equipe ficou empolgado e a diretoria da Sony foi “obrigada” a tentar o tal videogame que a Sony nunca fez, e já havia a Sega e a Nintendo na época bem estabelecida. RESULTADO: 40% do lucro da Sony nos anos seguintes veio do tal playstation.
gustavo Said,
May 15, 2008 @ 11:18 pm
Gu, para vc ler.
bjs
mamãe
Para que viver num mundo de números e métricas? : MPE Blogs Said,
July 10, 2008 @ 11:13 pm
[...] Vivemos num mundo em que todos ficam atentos a números e pesquisas. Matéria boa na mídia é a bas… [...]