RH: Uma conversa sobre jovens sem jovens

Recentemente a Você S/A organizou um encontro entre o pessoal de RH sobre como lidar com os profissionais da geração Y (as pessoas hoje que têm menos de 30 anos).

A questão levantada pela revista é: “Criados em um mundo dominado pela tecnologia, eles são ágeis e estão acostumados a realizar diversas tarefas ao mesmo tempo. Porém, são muito questionadores e inquietos. Como lidar com esses jovens? E como tirar proveito de suas competências e habilidades? Essas foram as perguntas que nortearam o primeiro Café com VOCÊ-RH do ano…”

Veja pela foto ao lado que no evento tinha um monte de gente e diversas colocações no texto sobre o evento. Só que há ninguém da dita geração Y (com menos de 30 anos). Isso que me chama a atenção em todas as discussões bacanas que surgem por aí é que parece que sempre está faltando alguém na conversa… justamente os atores da discussão!

Isso infelizmente é algo corriqueiro, debates sobre pobreza só / apenas / exclusivamente com gente chegando de carro importado, conferência sobre racismo com uma doutora neta de alemães falando. Não defendo de forma alguma que todos atores possam colocar uma visão crítica e contribuir de forma fácil, nem invalido os especialistas acadêmicos, tanto que nesse evento houve comentários interessantes:

“Antes nós os selecionávamos. Hoje, são eles quem nos escolhem… …eles estão atrás de desafios, bons projetos e querem ter prazer no que fazem.”

Entretanto, meu ponto é que para qualquer debate realmente rico ou planejamento de uma empresa, para real conhecimento da causa precisamos da diversidade, de pessoas que pesquisam e analisam como também as que vivem a situação. Em vez, da idéia elitista que somente executivos com MBA ou pesquisadores vêem a realidade.

7 Comments »

  1. Ubiratan Carlos Machado Said,

    August 28, 2008 @ 4:23 pm

    Beleza Diego!

    Eu acabei de ler a reportagem em questão! E creio que os jovens não poderiam estar presentes justamente porque eles “são o problema em questão”. Veja como eles se referem aos jovens

    “A forma de aprendizado dos games é de tentativa e erro. A cada nível, o jogo apresenta novos desafios e situações diferentes. É desta forma que os jovens se comportam no ambiente de trabalho. Usando a analogia, no jogo, apertando uma tecla é possível começar tudo de novo. Na empresa basta pedir demissão. Se eles não estão satisfeitos com a organização em que trabalham procuram outra. Como no jogo, a fila anda. Esse profissional veste duas camisas: a da empresa por cima e a dele por baixo”.

    Essa foi um belo tapa de luva de pelica! E realmente ele tem razão! Você pegou apenas o finalzinho da frase o que pode dar a entender um poder emanando dos jovens o que na realidade significa uma desorientação total e uma falta de projeto de vida.

    Eu passei da geração Y a três anos (tenho 33) e realmente não tem nada a ver um pessoal com o outro. A minha geração é a que queria trabalhar antes dos 16 para não servir o exército. Queria estar bem empregado até os 21 para poder pensar em casar e ter filhos antes dos 26.

    Mas, essa geração não tem mais sobre si o prazer (ou a responsabilidade) do casamento e de ter filhos. Vive em uma balada eterna e não sentem mais vergonha de passar dos 30 anos morando na casa dos pais. A mudança nestes valores alterou radicalmente a postura dos jovens em relação ao trabalho também. Antes trabalhávamos para encontrar um local onde nos encaixar e ter uma atividade prazerosa, hoje se pensa no prazer em primeiro lugar.

    Se não no prazer da atividade pensa-se no prazer de ganhar bem (mesmo que não goste da atividade) para poder viver em baladas e no consumo instigante. É realmente o pessoal de RH tem que pensar sério em produzir um ambiente diferente para a geração Y porque ela quer prazer. É uma geração hedonista por natureza.

  2. Ubiratan Carlos Machado Said,

    August 28, 2008 @ 4:38 pm

    E Diego, seu site agora ficou clean…rs

  3. Diego Said,

    August 28, 2008 @ 4:58 pm

    Ubiratan quando você diz: “E creio que os jovens não poderiam estar presentes justamente porque eles “são o problema em questão”.”

    Não acho que eles sejam problema, mas a solução. Penso que restringe muito nossa criatividade e capacidade de ação se nos basearmos em julgamentos… é feio, é ruim, é preguiçoso e etc.

    Eu, talvez, tenha muitas catacterísticas da Geração Y por ter 25 anos e trabalhar com Web 2.0… e nao nos vejo como hedonistas (talvez, por isso gente como eu poderia acrescentar na discussão). Vejo muito mais pessoas que querem significado do trabalho além do trabalho rotineiro como no “Tempos Modernos” de Chaplin. Não me parece que uma correta visão da realidade seja o ponto de vista moralista de achar que todo mundo tem que casar e parar de ir na balada, trabalhar e parar de gostar das coisas. Mas sim, perceber que é apenas um novo comportamento, um novo contexto com novas pessoas e com o modelo antigo.

    Quanto ao que você disse em: “um poder emanando dos jovens o que na realidade significa uma desorientação total e uma falta de projeto de vida.” Realmente há uma certa falta de orientação, mas isso é uma consequência e não a causa de tudo. Isso é um reflexo da falta de perspectiva de emprego (meu pai fez faculdade em sua época e conseguia emprego em qualquer lugar, com qualquer salário porque quase ninguém tinha um canudo embaixo do braço) em contraponto com o excesso de opções (olha os caras do Google e do MySpace fazendo fortuna).

    Assim, o que se vê é o anacronismo que tem por parte das empresas e faculdades anova realidade e as novas pessoas. Em contrapartida, os jovens também não fazem grandes esforços para repensar como inserir no meio e ai acabam entrando numa atitude niilista de exagero as baladas e consumo, que nesse contexto daí sim vê-se como expressão e conseqüência do não acreditar em nada, uma vez que o modelo trabalho e estudo de hoje quase exato ao da Era Industrial não corresponde com a realidade.

  4. Diego Said,

    August 28, 2008 @ 4:59 pm

    Obrigado pelo clean… graças a suas dicas!

    Se tiver mais idéias é só mandar que eu atendo rapidinho ;)

  5. Ubiratan Carlos Machado Said,

    August 28, 2008 @ 6:59 pm

    Diego não disse que “eu entendi que eles não deveriam estar no evento”, mas que os organizadores deduziriam isso a partir do tom que foi tratado o tema. Claro que se eles convidassem a geração Y e declarassem isso um jovem como você iria levantar e tentar desconstruir esta tese….rs

    Diego, julgamento é algo que imaginamos ser, mas o fato é que realmente essa geração Y enfrenta problemas sérios. A nossa sociedade tem um funcionamento básico que esta calcado no seguinte principio: responsabilidade uns com os outros. Todo mundo esta vinculado a esta premissa de um jeito ou de outra. Responsabilidade com os pais, com filhos, com esposa, com o cônjuge, com o trabalho, com o gato ou peixe…

    Na medida em que se quebram estes vínculos de responsabilidade a sociedade perde sua sustentabilidade. Se um dia tiver oportunidade leia “Ascensão e Queda do Império Romano”. Quando se quebrou o patriarcado e cada um só pensava em sua auto-imagem toda a cadeia foi rompida até a decadência total com orgias e farras contínuas. Chegaram ao ponto de querer prazer em tudo de forma que até no comer foram além (comiam até se fartar e depois faziam ânsia de vomito para voltar a comer e sentir prazer novamente)

    Não tenho problema com modelos novos de sociedade, mas um modelo baseado na ausência de responsabilidade é perigoso. Estes jovens tem tudo para ter projetos belíssimos de vida (e me incluo nesta geração cheia de oportunidades), mas a maioria esta descompromissada pensando apenas em si mesmos em um individualismo exagerado.

    Quando olhamos para década de 60 podemos ver jovens bem nascidos como Chico Buarque (e outros como Paulo Freire etc) dos em uma causa pública, mas hoje vemos os jovens da elite apenas viver para o entretenimento. Onde esta a classe média hoje? Esta nas novelas, nas baladas e enfiada em shoppings. A é verdade, de vez enquanto fazem uma passeada pela paz…

    Falta de perspectiva de emprego? Que isso Diego! Eu estou adorando essa nova sociedade! Quando eu tinha 11 anos trabalhava na feira-livre com meu pai acordando cinco horas da manhã levando 20 quilos quando não contava nem com 60 quilos de peso. Só podia assistir desenho duas horas por dia porque não tínhamos dinheiro para pagar a conta de luz (agora também estou assistindo toda a série dos Thundercats e Ultraseven pelo youtube. Matando a saudade! ). Quando melhorei de vida foi quando juntando dinheiro como office-boy comprei uma moto e fui ser motoqueiro…

    Tudo isso demorou mais de 15 anos. Agora em apenas 5 anos (últimos 5 anos) passei de motoqueiro a universitário. De motoqueiro a professor e de professor a Blogueiro palestrante (ainda em início de carreira). Nunca tive tanta oportunidade na minha vida quanto hoje! Posso ter um Blog (e conseguir palestras) quanto posso dar aulas em Escolas, ser tutor educacional em e-learning, ou ter uma rádio (podcast) ou ter um canal de tv (youtube). Temos um sistema de comunicação inteiro ao nosso dispor para mandar mensagens aos quatro cantos do Brasil. Podemos desenvolver modelos de negócio sem tirar um centavo do bolso! Você sabe do que estou falando, pois é fruto deste sistema contemporâneo…

    Veja seu caso mesmo! Quando nos conhecemos (a 6 anos atrás) você tinha que distribuir panfleto de papel na Usp para tentar comunicar sua mensagem! Quando reunia 5 pessoas lá na Igreja do Parque Continental era uma festa doida! Em pouco menos de 5 criou uma das maiores redes sociais do Brasil ! De entregador de folheto a criador de rede social nacional! Hoje você tem um Blog super irado e fala com o Brasil inteiro! Que falta de perspectiva é essa Diego? Para com isso…

    Claro que há exceções nesta tal geração Y, não podemos generalizar! Não estou dizendo que todo mundo com menos de 30 é hedonista (tem uns que não são da geração Y, com mais de 30, que são Y também), mas estou dizendo que a questão que a reportagem levanta é um fato real…(não é preconceito ou julgamento)

  6. Ubiratan Carlos Machado Said,

    August 28, 2008 @ 7:00 pm

    Diego, sabe que escrevo para caramba…rs

    Então não vou colocar e-mail ainda porque estou atolado de tarefas este semestre! Mas, a dica fica!

  7. Uma conversa sobre Internet com internautas « People Based - Brasil - Diego Monteiro ´s ideas Said,

    September 1, 2008 @ 1:10 pm

    [...] aqui no post, RH: Uma conversa sobre jovens sem jovens, como é importante a participação da diversidade e das pessoas que vivem a situação na pele [...]

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