Archive for October, 2008

Lindemberg no sequestro de Santo André - Estratégia e Negociação

Na semana passada o país parou para acompanhar o sequestro da jovem Eloá pelo seu ex-namorado que acontecia em Santo André até sexta-feira por volta das 6 da tarde quando ocorreu o desfecho trágico que culminou na morte da adolescente. O interessante foi que eu tinha postado em meu twitter no mesmo dia às 10 da manhã dizendo que “iria acabar mal essa história”! Lá eu disse que o negócio ia acabar mal por causa do despreparo estratégico da polícia como aconteceu no caso do  Ônibus 174 no Rio de Janeiro em que a refém também faleceu (quem puder ver o documentário, vale muito a pena!).

Eu pude de certa maneira prever o que viria a acontecer, não por chute, mas por uma análise de comportamento e estratégia nas decisões tomadas ali tanto pelo sequestrador como pela polícia.

Na estratégia e nos relacionamentos entre pessoas é fundamental perceber os motivadores reais das pessoas, as intenções não-declaradas que na verdade são os reais influenciadores das decisões e com isso é possível prever os próximos passos do outro (que pode ser um oponente, concorrente, parceiro, cliente ou mercado) e você ver se o processo está indo pelo caminho que está no seu objetivo real.

No caso de Santo André houve um conjunto de motivadores reais que tornava quase impossível um resultado positivo. Assim o que eu tinha montado na sexta de manhã, ao comentar no meu Twitter, é a seguinte lógica abaixo:

Sequestrador (Lindemberg):
Motivador aparente / declarado -> sair de lá vivo, com garantias
Motivador real -> ficar junto da pessoa que ele “gosta”, ou seja, ele não queria sair para ele o bom era ficar ali mesmo, ainda mais com o “apoio” da mídia tanto que ele se auto-denominava “o principe do gueto”.

Polícia (negociadores):
Motivador aparente / declarado -> encontrar a solução em haja menos vítimas possíveis
Motivador real -> não ser culpada por executar um jovem em crise amorosa que não tem antecedentes criminais

Esse conjunto de fatores foram os que tornaram praticamente inviável uma solução mais feliz para o problema. Pois, se de um lado o sequestrador não tinha nenhum interesse em sair de lá, a polícia não criou situações de “stress / desconforto” para ele não querer ficar. Sendo por corte de luz e comida ou por uma invasão planejada em que a última alternativa seria executá-lo. Pelo contrário, a polícia gerava cada vez mais “conforto” para ele cedendo a tudo que ele queria, até ao ponto de devolverem uma refém (a jovem Nayara).

O que poderia ser feito é alguém do Estado com uma visão estratégica observando os motivadores reais da situação intervir e agir de algum modo para que os motivadores reais dos negociadores, fossem mudados, seja pela troca de comandantes, por “garantias juridicas” ou algo que fosse proporcional a situação. Assim, o que causou o final infeliz foi a intenção de “tirar o corpo fora” do comandante da polícia, o que no final das contas diz que era preferível a Eloá morrer do que o Linderberg (sequestrador) já que se o Lindemberg morresse seria o comandante culpado pela ação, porém no caso da morte da Eloá o culpado seria Lindemberg e a polícia seria culpada por omissão (o que é bem subjetivo e difícil de acusar e dar em algum problema juridico, vide Ônibus 174), que é justamente o que está acontecendo agora… basta ver a declaração do comandante da operação ao dizer: “Quem matou a Eloá não foi a polícia, foi o Lindemberg. Nós não temos culpa de nada!”.

É importante atentar que eu não quis aqui entrar no mérito de que executar o rapaz com um atirador de elite seria melhor ou não ou se a polícia foi ineficiente ao invadir a casa em 15 segundos sendo que o tempo padrão para isso é no máximo 2 segundos. Porque de ações táticas policiais eu entendo nada, mas sim me dedico muito ao comportamento humano e estratégias. E vejo que esse tipo de reflexão pode contribuir muito no nosso dia-dia assim como quando atuamos em empresas.

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É impossivel anular os riscos no Planejamento Estratégico - matriz SWOT

Em toda reunião de planejamento, tanto da estratégia como de qualquer projeto sempre são levantados os riscos e ameaças. Até no componente “fundamental” de todo plano, a matriz SWOT que significa: Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats), aparece o risco!

O primeiro passo ao se detectar os riscos e ameaças é sempre pensar o modo “mais seguro” de se fazer as coisas, ou no português claro tirar o seu da reta! E o que impressiona nas empresas é o sonho de fazer algo  e anular todos os riscos, não ter nenhum risco. Talvez por isso seja que as empresas têm grande dificuldade de mudar e inovar. Porque o único jeito de inovar, continuar no mercado é correndo riscos, não tem jeito. Como diz uma frase muito legal que eu li um tempo atrás “Se a sua vida é isenta de fracassos, então você não está assumindo os riscos necessários” H. Jackson Brown (Escritor Norte-Americano)

O que deixa bem claro isso é a atual crise financeira em que gerou um desespero geral nas pessoas, o que deveria ser encarado como uma coisa comum, afinal ações é risco. Só que as pessoas esquecem e encaram como retorno certo (sonhando como nas empresas) até a realidade se colocar a mostra.

Para ilustrar isso, é só ver como as pessoas encaram o que é dito pelas grandes mídias e personalidades como verdades absolutas e seguras. E obviamente elas não conseguem ter tal papel de provedora de certezas, basta ler a Você S/A de Setembro. Primeiro, na página 115 a revista indica a compra de ações da construtora Tenda. Tomás Awad, analista sênior da Itaú Corretora diz: “O papel tem um bom poder de alta nos próximos meses”! Só que ao chegar as bancas a realidade já era outra. A Tenda teve seu valor diminuido em 65%! E foi comprada pela Gafisa a preço de banana.

A segunda matéria da revista a chamar atenção foi com o Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central. A chamada da entrevista dizia “Bolsa ainda é a melhor aplicação”. Só que o mês em que a revista estava nas bancas foi justamente quando explodiu a crise na bolsa e qualquer um que tivesse seguido os conselhos do economista teria perdido todo seu dinheiro (todo não, mas boa parte sim!).

A Você S/A errou feio, junto com o cara da Itaú Corretora e o Gustavo Franco. Mas a proposta aqui não é criticar essas pessoas, mas sim o modo como o que dizem grandes revistas e grandes personalidades serem encaradas como uma verdade certa e segura. Qualquer grande mídia pode errar, grandes profissionais também e aí que chega a hora de escolher entre a segurança e o risco calculado ou a aposta, a mudança e ousadia. Tentar maquiar o certo como inovação, como estratégia só serve para falar que a culpa não é sua quando a empresa ficar mal das pernas.

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Lições de estratégia e gestão na Crise da bolsa: Modelo Mental

Como diz uma famosa frase de Einstein “Não se pode resolver um problema utilizando-se o mesmo tipo de raciocínio que criou o problema”. Esse “tipo de raciocínio” é o modelo mental que usamos para tudo na vida e nesse caso nas empresas. Sempre ao criar um tipo de gestão ou estratégia adotamos um modelo mental para tal, o problema é que surgem problemas ou esse se torna desatualizado (acaba o prazo de validade), é só pensar que teve gente que ficou milionário vendendo caneta e hoje é um commodittie que o produto por si só, sem nenhum valor agregado como marca ou preço, não vende!

E dentro das empresas é a mesma coisa, a única certeza que há no mundo das organizações é que um dia o modelo atual não trará mais resultados, em determinadas empresas pode demorar 3 anos (como foi o caso do Yahoo que durou pouco até o Google destruir seu produto) ou 80 anos (como a Ford e a GM reinaram sem aparecer a Toyota junto à globalização). Quando entra nesse momento a grande maioria das empresas entram em colapso e são vendidas ou fecham as portas, é só ver que as 100 maiores empresas do mundo de 50 anos atrás, apenas 5 ou 6 ainda permanecem lá!

E o principal fator que impede as empresas de se renovar é justamente o apontado por Einstein:”é impossível resolver um problema usando o mesmo modelo mental que o criou”. A solução simples de causa-efeito: “as vendas estão baixas vamos investir mais em publicidade” (por exemplo).

A atual crise na bolsa é o exemplo de como a gestão dos governos querem resolver o problema usando o mesmo modelo mental que o criou. Investimentos (dinheiros doados) à bancos tem sido anunciados todos os dias, 800 bilhões de dólares, depois mais 250 bilhões e isso em todo o mundo! E o mercado responde com um dia de crescimento da bolsa depois volta a cair, gerando um círculo vicioso que só terá fim quando acabar a grana dos governos.

Não existe um problema de dinheiro na bolsa, mas sim um problema de confiança, de credibilidade! O modelo de gestão financeira baseado em injeção de grana e lucros a qualquer preço é justamente o que gera essa falta de credibilidade. O que resolveria o problema, é um novo modelo de atuação em que junto com injeção de capital (e não ele isolado) houvesse um plano bem claro e rigído para mudar as regras do jogo e impedir a festança dos bancos novamente. Aí sim um novo paradigma seria atingido e a confiança voltaria a reinar no mundo financeiro.

Esse é o terceito post de uma série de três posts sobre “Lições de estratégia e gestão na Crise da Bolsa”.

Primeiro Artigo: Lições de estratégia e gestão na Crise da bolsa: Improvisação

Segundo Artigo: Lições de estratégia e gestão da Crise na bolsa: Caso Sadia

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Lições de estratégia e gestão na Crise da bolsa: Improvisação

Estou escrevendo uma série de lições de management que podem ser tiradas da crise na bolsa, a primeira foi o problema de quando administrar o caixa financeiro da empresa se torna a principal foco da organização.

O antônimo de estratégia é improvisação! Ao mesmo tempo que pode ser positivo como sinal de flexibilidade e criatividade no curtissimo prazo, nunca deve comprometer ao longo do tempo. Que é justamente o que os governos estão fazendo na atual crise!

a administração da crise segue no ritmo da improvisação. Se alguém congelado nos anos 80 acordasse no final dessa primeira década do século 21, seria difícil fazê-lo acreditar que o quadro descrito acima não se referia ao Brasil. Pior ainda seria convencer a mesma pessoa de que esse cenário reflete a realidade atual dos Estados Unidos.” - Exame de 24/9/08

O caminho para haver ações estratégicas em vez de improvisações na gestão, é pensar sempre na causa do problema e não nos sintomas da causa, é a famosa analogia que fazem ao dizer que é preciso consertar o buraco do teto da goteira em vez de colocar um balde embaixo! Esse simples conceito é esquecido quase sempre no dia-dia das empresas, o que acaba criando uma cultura de improvisação!

A grande questão está em que é visto com ótimos olhos dentro das empresas quando se “bate” metas, resolve problemas, melhora o caixa e etc. Mesmo que há um custo altíssimo (compromentendo toda a estratégia da empresa).

Eu recebo todo dia um SPAM da própria TIM no meu celular TIM falando pra eu gastar meu dinheiro no Quiz deles, esse produto (quiz) deixa 99,9% dos clientes “p da vida”, mas 0,1% até topam gastar dinheiro com essa porcaria, o que deve dar no final do ano uma receita com mais de um milhão de reais, mas há um custo enorme de desgaste da marca e perda de fidelidade dos clientes (agora que a Oi chegou em são paulo não tenho dúvidas que vou trocar minha operadora). Só que o grande porém da história é que o executivo que bolou essa ação improvisada de gerar receita, deve estar recebendo parabéns de toda diretoria da TIM (argh!).

Na questão atual da economia todos os governos do mundo têm falado em bilhões e mais bilhões para resolver o problema, mas o modelo mental de que banqueiro tem que sempre ganhar muito dinheiro e ser protegido (que é a causa disso tudo) continua intacto.

Se uma empresa superar a cultura de improvisação ela vai parar de ter lucro (no final do trimestre) e passará a ter prosperidade (crescimento por anos). E isso não é fácil, porque o verdadeiro desafio está em superar todos os incentivos que o mundo corporativo oferece para essa prática auto-destrutiva como metas de curtíssimo prazo, foco no financeiro (como falado no post anterior), acionista como principal entidade que a empresa serve na prática entre outras.

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Lições de estratégia e gestão da Crise na bolsa: Caso Sadia

Agora estamos num momento complicado na economia dos EUA, o que implica no dia-dia de todas empresas pela rede interligada que é a economia hoje em dia. Além de nos prevenir em nossas finanças pessoais e na estratégia de nossas empresas (poderíamos pensar na frase de Nizan Guanaes que disse: “Nas crises reais, anunciadas ou imaginárias, há sempre aqueles que choram e aqueles que vendem lenços”), podemos também aproveitar agora que toda a gestão das estratégias e gestão de bancos e empresas estão vindo a público e aprender lições valiosas para nossas empresas seja de que porte for onde trabalhamos ou empreendemos.

Umas das empresas que teve sua gestão divulgada foi a Sadia, a qual perdeu 760 milhões de reais. No blog Por dentro das empresas, da Exame cita a fala do presidente da Suzano papel e celulose, Antonio Maciel Neto, sobre esse assunto “esse tipo de situação enfrentada por empresas que perderam dinheiro com especulação, pode acontecer … …por conta do posicionamento da empresa (por exemplo, se ela quer se posicionar como uma empresa que ganha dinheiro vendendo papel ou brincando de banco)”

Ainda no mesmo post do blog da Exame Maciel fala corte de custos: “Se você só reduzir custo vai chegar uma hora em que não terá nenhum custo – e também nenhuma receita.”

Essas duas idéias do Maciel, são reflexões fundamentais para qualquer empresa de qualquer tamanho!

Primeiro, saber o que a empresa faz, uma empresa precisa ganhar dinheiro com o seu negócio é lá que ela sabe que riscos pode correr e como aplicar estratégias. Segundo, gerenciar uma empresa não é administrar caixa.

O erro mais comum que as empresas são levadas a fazer seja pelas dificuldades financeiras (nas pequenas e médias empresas) ou pressionadas pelos investidores (nas grandes empresas em bolsa) é quando o administrar o caixa financeiro da empresa se torna a principal foco da organização. Isso se reflete na prática quando a estratégia da empresa se trata de orçamentos e projeções financeira e de vendas, em vez dos próximos passos a seguir para se alcançar um novo patamar. Ou a gestão é baseada nas metas de produtividade em vez de se “ganhar corpo” para o próximo passo da empresa rumo à renovação do negócio.

Isso explica por empresas como Microsoft e Ford não conseguem se renovar, pois a lógica “Sadia” (uma coincidência irônica) prega que o caixa é a mãe da gestão e estratégia e isso se torna uma barreira intransponível para a inovação.

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