Liderança na Estratégia - Os “Executivos Poste” - Parte 2
“Na sede de uma grande multinacional em São Paulo executivos sorriem num brinde com Champanhe de 5 mil dólares, em foto que vai ser capa de uma revista de Negócios…
…No Rio de Janeiro, executivos são eleitos os melhores do ano em uma premiação…
…Um empresa moderna e “inovadora” coloca piscina e fliperama para os funcionários”
A Crise chegou, e aí esses super-executivos e empresas super-inovadoras, na hora de realmente mostrarem o porquê são “super” fazem o quê? demitem e cortam benefícios! Por que a Fiat não honra seu prêmio de melhor do ano pela Exame e se torna exceção das montadoras na crise, em vez de dar férias coletivas? Por que o Google que é super-inovador, não mostra os novos produtos lucrativos como deveria a empresa mais inovadora do mundo em vez de pensar em cortar o almoço-grátis e as pistas de hockey?
Isso acontece por causa dos Executivos Poste. No post anterior eu comecei a falar desse profissional muito comum no meio corporativo. O Executivo Poste consegue resultados não por suas ações, mas sim porque o mercado naturalmente impulsiona para isso e se vangloria como se fosse tudo gerado pelo seu pseudo-talento. Já o Executivo Líder, ele tem um propósito, uma crença muito além de seu ego pessoal… para ele o importante é a empresa criar valor e não está totalmente “refém” dos mercados. Abaixo está uma comparação mais detalhada de cada tipo de líder em cada uma das duas situações em que uma empresa pode se encontrar:
Quando a empresa está Lucrativa (1)
O mercado está bem (a) , o setor em que a empresa atua não pára de crescer (b) e as decisões certas, em geral, foram tomadas (c). Os dirigentes realizaram sim uma boa estratégia ou pelo menos razoável e as condições do mercado (o que está ligado com a sorte) permitiram a empresa estar bem. As reações de gestão são:
Do Executivo Poste: exalta a si e a equipe (que vai mais pelo embalo e pra não pegar mal, afinal se trata de um executivo carismático) como grandes gênios e vencedores. Pessoas super-competentes! E em seguida começa a gastança, é realizada uma hiper-festa de fim-de-ano, todos funcionários agora têm notebook de última geração mesmo que fiquem sempre dentro da empresa, Tv´s de plasma são espalhadas pelo escritório para fazer endomarketing e etc
Já do Executivo Líder: sabe que o sucesso foi alcançado não por sua genialidade mas porque o mercado está favorável, e do mesmo jeito que hoje o mercado está bem, isso passará, e o tempo das vacas gordas irão acabar. É quando ele reconhece sim o trabalho de toda equipe, porém usa a motivação de todos para INVESTIR e INOVAR em vez de gastar, criar os “produtos de amanhã“.
Quando a empresa tem Prejuízo (2)
O mercado não está bem, o mundo, a economia local está em crise ou o setor em que a empresa atua. Só que a empresa do Executivo Líder sobrevive e não faz cortes, porque no momento das “vacas gordas” ele manteve uma gestão austera e “investiu no amanhã” em vez de se vangloriar e fazer a média com o pessoal.
Já o executivo poste, faz corte de funcionários, para com a gastança (pena que é tarde demais) tirando os mega-benefícios e luxos. E, principalmente, propaga o discurso na empresa e na mídia que “a situação está difícil” como acontece no mercado de publicidade em que as agências não param de demitir, culpando a crise. Mas todos sabem que a situação está feia mesmo é pela insistência em não mudar o velho e ultrapassado modelo com que trabalham.
Em tempos como os atuais o importante é termos visão crítica e reconhecermos os líderes e os executivos postes, quem é o joio e quem é o trigo. E melhor ainda se pudérmos perceber nossas atitudes como o primeiro ou o segundo. Essa crise não deve servir apenas para milhões de pessoas perderem seu dinheiro investido e bancos / montadoras conseguirem doações bilionárias dos governos! Mas sim para um aprendizado de gestão, de quando guiamos ou somos guiados por líderes ou postes.


Jonas Felipe Said,
February 28, 2009 @ 8:42 am
“Pensar é o trabalho mais pesado que há, e, talvez, seja essa a razão para tão poucas pessoas se dediquem a tal tarefa.” - Henry Ford
Se tudo está indo bem, seguir o fluxo é fácil, não precisa pensar muito, por isso os postes em bons momentos se destacam.
Quando há crise, só sobrevive quem pensa.
Excelente post!
Carlos Yukimura Said,
July 29, 2009 @ 10:01 am
Muito interessante a analogia, vejo que tem gente que pensa igual sobre o que acontece com este país. Parabéns pelo post!