Por que Matrix é uma Porcaria
Matrix é um filme que se tornou um clássico do cinema… e até mais que isso, se tornou um ícone da cultura Pop. Tanto sucesso fez com que o filme ganhasse uma aura cult e de inquestionável qualidade. Enquanto, suas continuações Matrix 2 e 3 foram escrachados como filmes com apenas tiroteios e efeitos especiais.
Porém, eu escrevi esse artigo para contestar esse senso comum e provar que Matrix, na verdade, é uma porcaria!
O Incentivo ao Vitimismo e Egocentrismo
O autor Ken Wilber diz que a maior doença da humanidade atualmente é o vitimismo, onde as pessoas são centradas em si mesmo de forma egoísta e todos problemas que surgem são causados por terceiros, pela sociedade e etc. Ele cita um exemplo no livro Boomerite que eu achei muito interessante e engraçado em que uma familia processou um estacionamento dos EUA porque seu filho roubou um carro de lá, e na fuga do roubo acabou tendo um acidente! O motivo do processo? é porque eles acusam o estacionamento de não ter dificultado mais o roubo com muros mais altos o que impediria o acidente! Assim o acidente foi culpa da empresa que teve que pagar uma indenização à família, o jovem assaltante é uma mera vítima.
Essa tendência do ser humano de se sentir vitima, é a fraqueza do homem e algo que nunca deveria ser incentivado. Porém, todos adoram esse lance, todos adoram praticar um crime e ser culpa do muro que é baixo demais e facilitou o roubo, todos adoram estar desempregado e colocar a culpa nos políticos que nós mesmos que votamos e principalmente adoram Teorias da Conspiração, onde somos vitimas de um sistema contra nós e não temos responsabilidade nenhuma (a parte confortável que a maioria de nós adoramos) sobre os problemas que acontecem com a gente.
Esse ponto fraco do ser humano, essa forma de pensar primitiva que o filme Matrix realça. Quando eu vejo as pessoas se identificando com o filme, sempre me parece que pensam assim: “olha eu sou igual ao Neo, super-esperto e o resto do mundo é alienado… porque os poderosos fazem as pessoas serem alienadas. Mas eu não caio nessa, não assisto Faustão nem ouço axé… eu sou é muito inteligente e intelectual”. E quando pensam nos problemas do mundo: “o mundo é igual ao matrix os poderosos (robos / computadores) se aproveitam de nós, eu não tenho culpa nenhuma! é tudo culpa dos poderosos”.
Assim o filme se torna muito fraco, por tratar de algo que é senso-comum… nenhum novo paradigma ou pensamento. Visão tão velha e medieval quanto o proletariado revoltado com as elites ou a indignação com a “política do pão e circo”.
A Filosofia de Boteco
Apesar de todos dizerem que Matrix se trata de um filme “filosófico” e “reflexivo”, já mostrei acima que de reflexivo tem nada. Quanto ao filosófico também é muito questionável A parte pré-histórica e básica da filosofia, o filme ainda está no mito da Caverna!
Além disso, o filme peca em colocar razões e sentidos em todos elementos do filme, como mostra os nomes dos personagens que remetem a conceitos da Santíssima Trindade, os números nas portas, os livros nas estantes dos cenários e etc. O que dá uma falsa noção de profundidade. Na verdade, um filme filosófico é bem mais um que fomente a sabedoria, do que cuspir elementos básicos de Platão. Um exemplo de filme oposto ao Matrix é o Viver do Kurosawa.
O conteúdo de Novela das Oito da Globo
Outro ponto que demonstra a fraqueza do Matrix é que sua história é bem clichê. O mocinho bonzinho que consegue se superar e derotar os malzinhos e bandidos da história (Agente Smith). Esse maníqueismo simplório já é lugar comum e não acrescenta nada. O que é irônico é que esse estilo de narrativa é o mesmo das novelas da Globo, o mesmo que os fãs de Matrix se dizem estar tão distantes.
A ideologia de Música de Pagode
Se Matrix é uma lástima como filme e filosofia, como referência na vida pessoal também não é diferente. Ao ver o relacionamento entre Neo e Trinity, em que eles estão apaixonados e terminam no final junto só falando a mensagem “e foram felizes para sempre” está muito mais próximo de uma letra de música de pagode do que um real questionamento e aprendizado de relacionamento amoroso. Mais uma vez prevalece o clichê Hollywoodiano em que o amor é quando dois apaixonados ficam juntos é um fim em si, ao contrário da vida pessoal que é apenas o começo e os verdadeiros desafios vêem ao longo do tempo.
A Salvação: Matrix 2 e 3
A minha crítica, no entanto, vai apenas para o primeiro Matrix o que nos dois filmes seguidos Matrix Reloaded e Matrix Revolutions é totalmente diferente. Os irmãos wachowski, diretores do filme, sabiamente colocaram no primeiro filme o lugar comum e clichê e nas continuações fez a virada mostrando uma evolução em salto quântico do personagem NEO do homem comum num história medíocre combatendo o sistema para um ser em questionamento entendendo suas escolhas e decisões, num processo de amadurecimento sem ser o dono da verdade.
O Incentivo ao Vitimismo e Egocentrismo
Em vez da arrogância de ser dono da verdade frente a um mundo de alienados, discordando do “status quo” e para isso simplesmente o destruindo… sem nenhuma possibilidade de diálogo e de reflexão das estratégias possíveis. Agora Neo, não se acha o dono da verdade e com o caminho inquestionável a percorrer, mas ele procura entender a relação entre os homens e as máquinas… e mais pensa constantemente em qual a melhor estratégia para resolver o embate, em vez de simplesmente destruir as máquinas, mas sim tentando resolver o problema (que no final nem precisou destruir as máquinas para tal).
A Filosofia de Boteco
A filosofia de Boteco na continuação da trilogia dá lugar ao questionamento do Neo sobre o papel da máquinas no mundo, sobre o que é certo fazer em vez de apenas sair por aí matando as máquinas como num Rambo do século XXI. É impressionante que antes o caminho inquestionável do primeiro filme “derrotar todas as máquinas porque elas são más” se transformou num auto-questionamento denso em que só se resolve no último minuto do terceiro filme.
O conteúdo de Novela das Oito da Globo
Os personagens “malzinhos”, seus inimigos do primeiro filme foram deixando de ter a aura de mal-absoluto X a bondade dos homens. E há uma evolução na história onde os homens deixam de ser tão bonzinhos assim e as máquinas passam a ter um papel mais colaborativo (tanto que muitas máquinas ajudam Neo em sua jornada).
A ideologia de Música de Pagode
Outra virada se deu também no relacionamento entre Neo e Trinity. O papel do amor fugiu do clichê e trouxe os desafios do papel da relação frente aos objetivos e escolhas de cada um. Neo se encontra no final do Matrix Reloaded num grande dilema quanto sua escolha como resolver o conflito com as máquinas e seu amor por Trinity.

