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Entrevista sobre startup e inovação - Parte 2

Essa é a continuação da entrevista que fiz para a Revista WebDesign, as perguntas 1 à 5 estão no post anterior.

6 - Ainda no livro “Startup”, Jessica ressalta que “as pessoas gostam da ideia de inovação no abstrato, mas tendem a rejeitar uma inovação concreta que lhes é apresentada porque não está de acordo com o que já conhecem”. Em relação ao mercado digital, de que maneira é possível avaliar/medir a viabilidade de uma ideia para que ela se transforme num empreendimento rentável economicamente?


Isso é muito difícil, o Google que é o maior exemplo de rentabilidade ligada a um projeto de Internet não sabia como ia ganhar dinheiro nos primeiros anos de vida. Repito que só com protótipo e determinação é possível empreender na Web. Muitas pessoas buscam a certeza com pesquisas e etc. Mas para quem gosta de certezas o empreendorismo não é o lugar certo.


7 - Alguns empreendimentos digitais brasileiros, como a boo-box, já receberam algum tipo de aporte de empresas de capital de risco. Durante o CP Labs, realizado dentro do evento Campus Party 2009, executivos de empresas de capital de risco alertaram que muitos empreendedores brasileiros ainda não sabem apresentar adequadamente seus projetos, prejudicando o aporte de verbas. Assim, quais seriam as dicas para quem deseja buscar o apoio de investidores e novos sócios? A elaboração de um plano de negócios (business plan) seria o melhor caminho?


Para quem deseja ter um investidor é inevitável fazer um Plano de Negócios. Porém, o Plano de Negócios é um meio e não um fim em si, ele é apenas um retrato do negócio. Mudar a seqüência dos capítulos ou diminuir de 50 para 20 páginas o Plano de Negócios talvez não resolva o problema, acredito que muitos investidores vêem Plano de Negócios fracos porque os negócios o são. Para quem deseja ter investidores é necessário amadurecer o conceito, diferencial e modelo de negócio o que naturalmente vai refletir no Plano de Negócios e não melhorar apenas a descrição do projeto. É comum pessoas melhorarem apenas o Plano de Negócios, com uma melhor apresentação e formatação e deixar o negócio intacto. Às vezes até funciona para conseguir um investidor, mas a probabilidade de sucesso do negócio é mínima.


8 - Desejo de ter o próprio o negócio e identificar uma oportunidade de negócio. Esses foram os principais fatores para o investimento em um novo empreendimento, segundo a pesquisa “Fatores condicionantes e taxas de sobrevivência e mortalidade das micro e pequenas empresas no Brasil”, realizada pelo SEBRAE. Além do interesse em investir em seu próprio negócio, outro fator fundamental nesta área é criar ferramentas para garantir a sobrevivência do negócio. Pensando nisso, quais são os fatores que vão determinar a continuidade de um empreendimento digital?


O foco comercial. Na maioria das vezes são pessoas técnicas que iniciam um projeto Web e que passaram por empresas nas quais, geralmente, achavam que a equipe comercial tinha vida boa e os técnicos que trabalham de verdade. Quando começam o próprio negócio percebem que as habilidades de relacionamento e entendimento do cliente são difíceis e imprescindíveis para a sobrevivência do negócio.

9 - Por favor, indicar dois empreendimentos digitais brasileiros que você considere bons exemplos, justificando em três linhas o porquê da escolha.

Bolsa de Mulher -  (site)

Um site relevante pelo segmento que se focou em atuar (mulheres) e bem rentável por se formatar como mídia e atingir um público que interessa a muitos anunciantes. Ele é uma prova que não é necessário uma inovação radical com idéias mirabolantes para se criar um empreendimento digital consistente e rentável.

Camiseteria -  (e-commerce)

Pouco explorado no Brasil, os sites de nicho são extremamente interessantes. O Camiseteria conseguiu aliar o Modelo de Negócio mais do que comprovado dos comércios eletrônicos com uma comunidade de designers os quais enviam os desenhos das camisetas a serem vendidas pelo site.

10 - Quais dicas de leitura e cursos você daria para o profissional que deseja se aprofundar neste assunto?

Não acredito muito em teorias de empreendedorismo. Assim sugiro biografias como a do Sam Walton (fundador do Wal-Mart) e do Jeff Bezzos (fundador da Amazon),a leitura de blogs de grandes empreendedores como o do Daniel Heise do Blog Aprendendo Empreendendo e atualidades sobre o mundo dos negócios da Internet no blog Techcrunch

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Perguntas e respostas sobre empreendedorismo e inovação - Parte 1

As perguntas abaixo foram feitas em uma entrevista que dei para a Revista WebDesign de Maio desse ano. Vou separá-la em duas partes para não ficar grande demais no blog.

1 - Levando-se em consideração os princípios fundamentais da web, de que maneira os conceitos de empreendedorismo e inovação estão relacionados e determinam o sucesso de novos projetos?


O empreendedorismo e a inovação são dois comportamentos que visam propor uma nova maneira de resolver os problemas das pessoas, isso significa gerar valor para um extrato da sociedade. Esse aspecto de propor algo novo e diferenciado é ainda mais necessário quando se cria um empreendimento Web por causa da concorrência em excesso. Pois, por mais que um Samuel Klein tenha enfrentado três ou quatro concorrentes ao criar a Casas Bahia, na web existe a imensa facilidade de se criar projetos, além do acesso no mundo inteiro. Assim, você na melhor das hipóteses concorre com players do Brasil inteiro. Imagine criar um site de vídeos, você estará não só concorrendo com o Videolog, mas também com o Youtube e dezenas de sites internacionais.


2 - Para quem busca a inovação, tem uma boa ideia e pretende transformá-la em um empreendimento, quais seriam as principais etapas para lançar um projeto deste porte no mercado digital, em relação à realidade brasileira?


Ao meu ver a primeira etapa é construir um protótipo, rápido e fácil, isso significa com menos de 3 meses para colocar no ar. Vejo muitos negócios que começam grande demais e invariavelmente dão em nada. A segunda etapa é procurar um modelo de negócios, muitas empresas falham em confiar que o dinheiro virá fácil, deve-se testar não só o produto, mas também o modelo de negócios e o foco desde o início tem que ser na geração de receita. E a terceira etapa é conseguir um grande crescimento de caixa para que o negócio se torne viável via investidor, parceiro ou clientes.


3 - No livro “Startup”, de Jessica Livingston, são descritas as histórias e os detalhes de empreendimentos digitais e tecnológicas de sucesso, como Blogger.com, Firefox, Yahoo!, Hotmail, Gmail etc. Na introdução, a autora destaca que adaptação, determinação e perseverança são três das qualidades principais dos empreendedores consultados pelo livro. Pela sua experiência, é possível traçar um perfil ideal para o empreendedor digital? Como um profissional deve se preparar para investir em seu próprio negócio?


Não acredito que haja um perfil, mesmo porque as qualidades que a autora destaca no livro dela são escolhas e não qualidades. Assim, para mim não existe perfil ideal, mas escolha ideal, o empreendedor é o que escolhe fazer diferente, se arriscar e sair da zona de conforto. A única coisa que se pode dizer quanto a perfil é que se não há uma união de visão técnica e de negócios fica muito mais longo o caminho para o sucesso, basta ver que a maioria dos empreendedores são duplas como no Google e Microsoft (alguns não sabem mas Paul Allen iniciou o negócio junto com Bill Gates, só não gosta tanto de holofotes). Quanto ao preparo, estudar administração e negócios ajuda 1% os outros 99% é aprender fazendo, empreendendo.

4 - Em termos educacionais, em sua opinião, o ensino superior brasileiro fornece os subsídios necessários para preparar e fomentar o surgimento de novos empreendimentos no país? Por quê?


De forma geral não. Apenas em poucas faculdades e o que é passado é uma visão muito teórica, baseada em Plano de Negócios, o qual é apenas uma das possíveis ferramentas e não o empreender em si. Chega a ser uma alienação pessoas acreditarem que empreendedorismo é saber completar o “script” de um Plano de Negócios. No entanto, tem de ser reconhecido que tem havido um grande avanço nas faculdades no ensino do empreendorismo, mesmo não gerando empreendedores como poderia o ensino evoluiu bastante de 10 anos pra cá, é um começo muito bom, ainda mais no meio acadêmico que as mudanças costumam ser lentas.


5 - No mercado web, os profissionais brasileiros são conhecidos pela alta capacidade criativa, além do perfil inovador e de adaptação a diferentes cenários. Apesar disso, por que vemos poucos empreendimentos digitais de sucesso no país? Quais seriam os principais obstáculos para ser empreendedor no Brasil, principalmente no segmento de internet?


Há muitas barreiras, além das tradicionais como a burocracia e alta tributação na Web especificamente podemos destacar um forte elemento que é a barreira cultural. Quando eu fui abrir a empresa para a rede social que criei Via6, as pessoas me perguntavam “loja do que você vai abrir?” e quando eu falava que era um site na web, todos perguntavam “mas existe empresa aberta disso?”. Enquanto no Vale do Silício em todo café tem alguém conversando sobre como vai iniciar seu negócio na Web. No Brasil isso é raro, somos criados para sermos funcionários públicos e os mais ousados trabalhar como empregado numa multinacional.

A segunda parte dessa entrevista está nesse post (clique aqui)

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Entrevista com Fábio Seixas - Parte 2 - Marketing

Post Anterior: Entrevista com Fábio Seixas - Parte 1 - Empreendedorismo

Essa é a continuação da entrevista feita com o Fábio Seixas, o criador do site Camiseteria. Na primeira parte conversamos sobre Empreendedorismo e negócios! E ele surpreendeu quando disse a forma como conseguiu investimento, vendendo camisetas para amigos antes de elas serem feitas.

Nessa segunda parte conversamos sobre as preciosas lições de Marketing que podemos tirar desse case de sucesso.

5) O Camiseteria não compete por preços, mas sim com um serviço diferenciado adicionada de uma comunidade em volta dele. Me parece que vocês não anunciam no Buscapé (onde o forte é a comparação de preços), nem pagam por cliques no Google Adwords (sistema de anúncio das buscas do Google).Certo?

Certo. Obviamente chegamos a testar essas suas opções de publicidade, mas optamos por usar o relacionamento como principal ferramenta de marketing.

Nesse contexto o Camiseteria se insere como uma empresa de nicho, e sendo assim como é possível a sua expansão? A única via seria criar outras empresas como “bolsaria”, “calçaria” e etc? Quais são seus planos para expandir o Camiseteria?

O Camiseteria é uma empresa de nicho, mas o que percebemos é que se trata de um nicho muito grande. Costumamos dizer que quem usa camisetas são jovens de 8 a 80 anos. Ou seja, todos usam camisetas e existe um mercado enorme ainda a ser explorado e conquistado. Mas isso não impede a expansão para outros nichos similares como acessórios, por exemplo. Nosso plano de expansão é um misto de atuação online com atuação offline.

6) Você disse na entrevista ao blog Biz Revolution que o objetivo do Camiseteria é “valorizar o mercado de design nacional”, nesse sentido você pensa em disponibilizar o Camiseteria em outros países? Esse objetivo é maior do que permitir às pessoas comprarem camisetas diferenciadas?

O Camiseteria tem um conjunto de objetivos. Valorizar o design nacional é um deles. Camisetas diferenciadas é, sob certo aspecto, um meio para atingir esse objetivo. A expansão internacional é uma possibilidade e vemos como uma forma de levar para fora as criações de designers brasileiros.

7) Cada vez se consolida a tendência do Marketing de gerar comunidades em vez de ficar seduzindo clientes com propaganda de massa, como a Camiseteria faz muito bem. No entanto esse tipo de Marketing não é restrito a empresas de nicho que vendem produtos especializado? Seria possível usar tal Estratégia / Marketing com empresas que vendem produtos “commodity” como faz a Amazon nos EUA e o Submarino no Brasil?

Em termos de nicho, quanto menos específica for a empresa, mais difícil é criar o senso de comunidade. Mas ainda assim, acredito que é possível criar comunidades em empresas que vendem commodity. A Amazon tem uma grande comunidade, mas mesmo assim não existe um senso tão grande de comunidade. Empresas como a Amazon e o Submarino poderiam criar mini-comunidades dentro de suas grandes comunidades. Poderiam criar um canal de relacionamento só para clientes que gostam de livros do Harry Potter, clientes entusiastas por fotografia ou mesmo esportistas fãs da Nike. Comunidade é sinônimo de pessoas com gostos semelhantes. O fato de uma empresa vender de tudo, não a impede de agrupar de alguma forma, pessoas com os mesmos interesses.

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Entrevista com Fábio Seixas - Parte 1 - Empreendedorismo

Li recentemente uma entrevista do Fábio Seixas, criador do site de comércio eletrônico Camiseteria, que fatura mais de 1 milhão de reais por ano com apenas 7 funcionários! A entrevista foi no blog Biz Revolution, lendo a entrevista fiquei com vontade de fazer mais perguntas e usei meu blog para isso!

Separei a entrevista em duas partes, a primeira sobre Empreendedorismo… que fala mais da parte de criar um negócio do zero, sobre inovar! E na segunda parte que postarei amanhã, trata de Marketing. Como as empresas podem repensar o Marketing na época em que as pessoas se agrupam em comunidades virtuais e redes sociais, além de toda tecnologia disponível (e barata) para melhorar o valor dos produtos.

Empreendedorismo - Camiseteria

1) Você poderia falar um pouco sobre a história do Camiseteria e seus números atuais. Como começou o camiseteria? Quantos funcionários tinham e como você conseguiu investimento para implementar a idéia? Atualmente tem quantos funcionários e faturamento? Qual é o crescimento atual?

O Camiseteria começou quando eu e meu sócio, Rodrigo David, enxergamos a oportunidade de desenvolver o modelo de negócios de concursos de estampas aqui no Brasil. Isso foi no final de 2004. Em 2005 começamos a desenvolver a empresa e em agosto desse ano, conseguimos lança-la ao público.

Atualmente são 7 pessoas trabalhando no Camiseteria. Uma equipe pequena e muito motivada. Nosso investimento inicial foi feito pelos próprios sócios e através da ideia de que seria possível vender camisetas com desconto para nossos amigos antes mesmo da empresa existir, apenas com a idéia na cabeça. Dessa forma, vendemos a oportunidade de comprar camisetas com 50% de desconto 4 meses antes de empresa sequer ser lançada. Com isso, levantamos todo o capital necessário para criar a empresa. Atualmente crescemos num ritmo muito bom, aumentando nosso faturamento mês a mês. Em 2008 devemos dobrar nossso faturamento em relação a 2007.

2) Vocês se inspiraram no Threadless para fazer o site… Porém, como vocês desenvolveram a logística do negócio? Foi na tentativa e erro, já tinham experiência nisso ou fizeram benchmark e pesquisa por ai?

Eu criei minha primeira empresa de e-commerce em 1997 quando existiam poucas iniciativas. Era uma loja que vendia posters. Nessa época adiquiri algum conhecimento de logística, mas foi no Camiseteria que as coisas aconteceram pra valer. Aqui desenvolvemos nossos próprios processos e ferramentas. Basta um pouco de criatividade e bom senso. E muita tentativa e erro.

3) Você esteve no ano passado no evento de startups em São Francisco (EUA), o TechCrunch40 e teve contato com diversos empreendedores americanos. A que fatores você acha que há muito menos startups no Brasil do que nos Estados Unidos? Muitos apontam que um dos fatores é a falta de Venture Capital nas terras brasileiras, porém isso talvez não seja conseqüência e não causa do baixo número de empreendedores?

Sim, existem muito mais startup nos EUA do que no Brasil, mas isso não significa que hajam poucas startups por aqui. O Brasil é um país empreendedor por natureza. O que dificulta nem é tanto a falta de acesso a capital, mas sim a burocracia excessiva. Também não acho que valha copmparar EUA com Brasil no tangente a Venture Capital. A economia americana é muito maior e mais dinâmica. O Brasil ainda tem um longo caminho pela frente para criar um ambiente favorável ao empreendedorismo.

Eu defendo que não é preciso muito capital para criar uma empresa. O Camiseteria é a prova viva disso. Defendo, na maioria dos casos, o conceito de Bootstrap como forma de viabilizar financeiramente uma startup.

4) Se você voltasse no tempo para a época do início do Camiseteria, o que você teria feito diferente?

Acho que não mudaria muito. Até porque os erros fazem parte do aprendizado. Se não tivesse errado nada, não teria aprendido nada.

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